OPINIÃO de João Estevens

É com muito gosto que passados alguns anos volto a colaborar com o jornal O Almeirinense. Apesar de não ser natural de Almeirim, aqui fui bem acolhido, o que permitiu uma adaptação
fácil a uma região e uma população a quem devo muito e espero ter a oportunidade de continuar a retribuir com o meu trabalho.
Aqui pretendo abordar temas relacionados com a saúde, e mais especificamente na área da Fisioterapia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define Saúde como sendo “o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença”.  A saúde pode ser definida como um equilíbrio dinâmico entre três pilares – físico, mental e emocional, em que todos se relacionam e interagem.
Pensemos num problema físico: uma pessoa que tem uma hérnia discal na coluna lombar com os sintomas clássicos (dor lombar com irradiação para a nádega e perna, dificuldade na locomoção e na realização das atividades diárias). Caso o problema não seja resolvido rapidamente e se arraste por longos períodos, isto terá um impacto significativo na sua vida. Ficará incapaz de realizar a sua atividade profissional e de participar ativamente na vida comunitária e social, o que conduz inevitavelmente a alterações a nível psicológico. Estas alterações podem refletir-se no comportamento, pensamento ou humor, conduzindo a elevados níveis de ansiedade e em último caso depressão. Assim, quando se fala de curar um problema de saúde é fundamental identificar a sua causa subjacente e a sua relação com as restantes dimensões da saúde, privilegiando uma abordagem holística, centrada na pessoa e não na patologia. Pensar o global implica ir além do visível, tratar além do sintoma.

Implicar ver a pessoa como um todo, e não apenas a hérnia discal e a dor na coluna. Claro que só podemos ser globais na nossa especialidade, e aí realço a Reeducação Postural Global como a
base da minha intervenção enquanto fisioterapeuta e que abordarei mais pormenorizadamente na próxima edição. Um profissional sério, seja de que área for, deve saber reconhecer quais são os seus limites, e se necessário encaminhar para outra área, de forma a potenciar ou complementar a sua intervenção. Se a multidisciplinaridade é importante, não menos será a participação ativa do utente, que deve estar informado sobre as opções ao seu dispor, para decidir de forma responsável
e consciente.

João Estevens

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