Caso dos detidos de Almeirim: Três arguidos perto do regresso a casa

Os processos para os arguidos que vão ficar em prisão domiciliária estão quase concluídos, apurou o Jornal O Almeirinense.

Na quinta-feira dávamos conta que as quatro pessoas continuavam detidas nos serviços prisionais e à espera que Direcção-Geral para a Reinserção Social verificasse as condições das habitações. Esse atraso poderia estar relacionado com a falta de meios.

Estas visitas tiveram como objetivo a verificação, antes dos arguidos regressarem a casa, de condições para que se cumpra a prisão domiciliária. Depois das visitas, que já se realizaram, cabe ao juiz decidir se os arguidos podem cumprir a medida de coação determinada.

O Juiz decidiu que os sete almeirinenses envolvidos no caso de tráfico de pessoas vão ficar quatro em prisão preventiva e três com pulseira electrónica na residência. A pessoa de Santarém envolvida também no caso ficará também com pulseira.

Preventivamente ficarão os dois casais que são os responsáveis da empresa visada no processo. Os colaboradores/funcionários vão ficar detidos até que o processo da colocação dos meios de vigilância em casa fiquem terminados.

Há ainda proibição de contactos entre arguidos.

Os seis homens e duas mulheres detidos pela Policia Judiciária passaram três noites detidos nas instalações da PJ, em Lisboa e no Estabelecimento Prisional de Tires, até conhecerem as medidas de coação.

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT), em inquérito titulado pelo DCIAP, deteve seis homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre os 33 e os 53 anos, presumíveis autores crimes de associação criminosa, tráfico de pessoas, falsificação de documento, ameaça e ofensa à integridade física.

Das oito pessoas, sete delas são de Almeirim e residem na cidade, a oitava pessoa é de Santarém.

Em comunicado, a Procuradoria Geral da República diz ainda que “os detidos, foram de flagrante delito, foram presentes ao Tribunal Central de Instrução Criminal para aplicação das medidas de coação”.

Ficou indiciado que os arguidos constituíram diversas sociedades, que se dedicavam a angariar cidadãos oriundos do Nepal, Bangladesh, Paquistão, Índia e Tailândia para trabalharem em explorações agrícolas portuguesas.

Aliciados com a promessa de um contrato de trabalho formalmente legal, os trabalhadores acabavam por ser forçados a viver em locais com condições de habitabilidade e higiene precárias e a trabalhar mais do que o inicialmente acordado, sem a correspondente remuneração.

À margem destes acontecimentos, nas redes sociais surgiu uma carta escrita em inglês com a imagem de alguns funcionários da empresa almeirinense a dizer que tinham enviado para o Parlamento da União Europeia um pedido de libertação dos dois casais.

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