“Fernando Santos” da Pesca é de Almeirim

Não ganha o mesmo dinheiro que Fernando Santos na Seleção Nacional de Futebol ou não dá ordens e instruções a Cristiano Ronaldo, mas é o Selecionador Nacional… de Pesca Desportiva. Gonçalo Teodósio fala da responsabilidade e desafios do cargo.

Como surgiu o desafio de ser selecionador nacional?
O desafio surgiu por convite do anterior presidente da federação portuguesa de pesca, sr. Jorge Almeirim, que me convidou para ser o responsável pelo departamento de pesca à carpa em Portugal, sendo na altura o selecionador nacional o José evangelista! Nesta altura os mundiais passaram a ser disputados com cada país a ter uma equipe técnica em vez de uma só pessoa. Começando como adjunto do selecionador em 2012 na Roménia, ao que nós chamamos de segundo capitão.

Não é novo demais para este cargo?
Novo demais?? Não, começar em 2005 nesta modalidade, fazendo equipa com o José Evangelista nos nacionais, ter como parceiro um dos atletas com mais presenças em mundiais, passando entre três a quatro provas de 72 horas por ano lado a lado, acabamos por aprender parte da técnica “ porque pesca nunca se sabe tudo de técnica, juntando à responsabilidade que tinha na FPPD, acho que por isto, não posso ser considerado novo para este cargo.
É verdade que existe a ideia que o selecionador é ou seja uma pessoa mais velha, neste desporto existem países que o fazem, mas Portugal optou por gente que apesar da idade desse garantias que a modalidade se desenvolvia quer internamente, quer em campeonatos do mundo!

Que balanço faz deste período?
Bem! A seleção é extraída de um campeonato nacional onde as equipas campeãs e o vice campeãs apuram-se diretamente e após o términos eu escolho mais duas equipas de todo o campeonato! Aqui uma luta de alguns anos quer minha, quer do anterior selecionador que deveria ser total escolha do selecionador!

Quais as dificuldades da modalidade?
As provas são de quatro dias e nem todas as pessoas conseguem ter tempo para as puder fazer e não vêm para o nacional! Outros porque hoje em dia para se estar entre os melhores fica muito dispendioso! Bem, mas ao longo destes anos tenho me deparado com uma situação com as equipas que aparecem, e deixo aqui em jeito de conselho, a prioridade para ir fazer o nacional será principalmente e antes dos resultados desportivos , que os dois atletas se conheçam muito bem e que se relacionem como se fossem de família! Porque sem se darem muito bem, não é fácil estar 72 horas dentro das boxes!

E de ser selecionador?
Dificuldades de ser selecionador, quero aproveitar para dizer publicamente isto não é só dizer que o somos é que vamos ao mundial! Bem nunca se consegue agradar a gregos e a troianos, desde fazer o calendário do nacional do ano a seguir, tanto locais como datas, orçamentar e cumprir o orçamento do mundial, decidir estratégias e táticas etc …. Sendo difícil mas com amor e dedicação e empenho tudo se consegue!

Que espera que possa mudar no próximo ano?
Bem, no próximo ano gostava que os pescadores aplicassem novas técnicas mesmo que com isso o resultado desportivo interno não fosse o melhor! Estou atento a tudo o que fazem como se diz na gíria “à borda d’Água” a pesca em campeonatos do mundo é muito diferente de a de cá, só com técnicas mais evoluídas é que vamos conseguir continuar a perseguir o objetivo ao qual me comprometi uma medalha fora de portas para Portugal.

Quais os maiores desafios para si no desempenho destas funções?
Um dos maiores desafios deste cargo é sem dúvida a gestão do melhor recurso da seleção, “ as pessoas que a compõem “. Lidar, gerir stress, gerir conflito, transmissão de objetivos, passar da estratégia à ação através deles, atenuar o peso que todos sentem ao vestir a “NOSSA CAMISOLA”,… é sem duvida um desafio enorme!

Depois de ser selecionador que mais pode ser?
Depois de ser selecionador? Não pensei muito nisso verdade seja dita, não porque tenha o cargo como adquirido, mas porque estou focado no que há para fazer ainda! Mas de certeza que vou voltar a pescar. A dedicação à seleção dá para fazer em simultâneo, se a direção da FPPD assim o entender, assim o farei!

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