A VIDA DAS NOSSAS GENTES CÁ DE ALMEIRIM…. por Augusto Gil

A Casa de jantar ……esta servia e vai servindo desde há muitos anos de adorno. Sómente era utilizada em dias de Festa. Aniversários, Natal, Visitas e quando em acontecimentos bastantes festivos porque de resto era um lugar de luxo não utilizado onde o musgo e o cheiro a mofo contracenava com o aspecto.

O Enxoval tanto do noivo como da noiva era sempre combinado entre os Pais da noiva e do Noivo depois de um namoro que por vezes custava mais ao noivo que à noiva que por vezes ali à janela em cima da bicicleta ou em pé, ía fazendo “ron ron” e ela nada de dar a sardinha ao gato.Em zonas tradicionais e neste caso em Almeirim o Noivo dava a casa e alguns utensilios; a mulher, as roupas o resto e a máquina de fazer os filhos. Logo por exclusão de partes os lençois, toalhas, naperons e tudo quanto era de bom era exposto para “Inglês ver ao principio” e depois com o andar da “carruage” faziam-se as redilhas dos restos da roupa já usada como toalhas e alguns lençois antigos já bastante amarelecidos eram utilizados para não estragar os que na ARCA estavam ainda por estrear.

Tenho a certeza que ainda há lares que continuam a fazê-lo; a dar de comer à traça. Quando batiam à porta entrava-se logo pela casa dentro. A confiança depositada e o à vontade levava que as portas e portões estarem sempre com um cordel ou arame para abrir as ditas. Todos os vizinhos eram considerados como familia. Precisavam-se uns dos outros. Também uma tradição que por aqui já acabou. Quando um filho(a) ìa casar presenteava-se com um prato de arroz doce o vizinho com a intensão de que na volta ao recolher o dito prato uns dias depois vinha com uma pequena lembrança. Dinheiro, umas cuecas, peugas, tudo coisas simples e mediante o bolso. A história muitas vezes utilizada da vizinha ir pedir um raminho de salsa ou uma chávena de açucar era nem mais nem menos motivo para meter conversa regateirar um bocadinho ou ver o que era a janta ou se a casa estava arrumada. No outro dia virava-se para outra vizinha e já tinha argumentos para fazer o mesmo e falava dessa mesma vizinha á outra, mas em tudo do “piorzinho”. Consideradas por muita gente, “As Regateiras Mor”. A vida da mulher casada a partir dos anos vinte, esta acompanhava o marido p´ra Charneca de inicio de casada, fazia a lida da casa por obrigação, mas muito “opiniosa” e com o chamado orgulho de asseio. Depois de ter os filhos ficava lá por casa. Uma coisa era certa, a menstruação era escondida a sete chaves das crianças e dos maridos por vergonha e por higiene. Mesmo quando nascia algum filho e já houvesse mais, estes eram retirados um ou dois dias para casas de parentes para não assistirem ao reboliço daqueles dias. Depois disso estas mães, faziam um período de quarentena ao não se lavarem na totalidade incluindo a “cabeça”. Passado esse tempo por vezes o marido dizia-lhe… -Anda cá canita que més prucisa…O que ela lhe respondia – “Ná pode ser home, podes acordari o canito e depois é qué o delas”!

.