Vamos falar de maus tratos!?

Muito se tem falado, e muito se fala sobre maus tratos. E ainda bem! Não por existirem, mas sim por se falar neles e por se consciencializar as comunidades de que são uma grave problemática sendo necessário travar uma luta feroz para os eliminar. Maus tratos a crianças, a mulheres, a idosos, a animais, a todos aqueles que por um motivo ou por outro se encontram vulneráveis ou numa situação de fragilidade que os impossibilite de se defenderem.
Quando questionamos o que se entende por maus tratos, inicialmente quase todos vacilam e depois, de forma rápida e pronta, também quase todos falam de agressões físicas e violência corporal. Mas, a sua definição é muito mais vasta e ampla, e nem sempre tomamos consciência disso. Mal tratar o outro é infligir-lhe dor, sofrimento, humilhação, transtorno no seu desenvolvimento, angústia. Nem sempre é fácil de definir, e por vezes de detectar.
Comummente identificamos o mau trato físico. Deixa marcas visíveis e fáceis de verificar. Então e os maus tratos psicológicos? Onde cabem esses actos de cobardia, que deixam marcas invisíveis de sofrimento e de dor, muitas vezes amordaçadas pela solidão e pelo medo de um novo mau trato na humilhação de os revelar.
E a subjugação e abuso sexual, em que o agressor enquanto parte dominante viola o outro por puro prazer e satisfação de um ego deformado?
Não menos grave, e muito frequentemente temos o mau trato provocado por negligência. Provoca danos imediatos, e fundamentalmente a longo prazo. Cometida por vezes de forma involuntária ou por mero desconhecimento.
E o infelizmente e cada vez mais conhecido palavrão chamado Bullyng? Em que um misto de superioridade e maldade permite que alguém mal trate o seu semelhante por mera diversão.
E a migração forçada de tantos refugiados obrigados a abandonar os seus países por guerras que não são suas?
Maus tratos são um conceito muito mais vasto do que vulgarmente pensamos. Pela sua gravidade merecem todos os nossos esforços na sua prevenção.
Enquanto pais, profissionais, cidadãos. Qualquer que seja o papel que tenhamos nesta sociedade e na nossa comunidade. Cabe-nos a nós prevenir, denunciar e eliminar este conceito que afinal e infelizmente é uma realidade.

 

Maria Clara Pó – Presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Almeirim

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