“Candidato, serei sempre!”, diz João Vinagre

João Vinagre está de regresso à liderança do CDS Almeirim depois de dois anos mais na sombra. As eleições dos para os órgãos Sociais da Concelhia realizam-se no dia 11 junho e depois dos primeiros dias do novo mandato, João Vinagre fala ao Almeirinense para traçar metas eleitorais para o próximo ano.

João, o que é que o fez regressar?
O que me fez regressar à liderança foi, em primeiro lugar, a demissão do Presidente; em segundo lugar, a experiência que fui adquirindo tanto nos mandatos anteriores como neste tempo em que estive mais afastado; em terceiro, a insistência de algumas pessoas, tanto através do apoio para regressar como da disponibilidade para me acompanhar; por último, achar que os objetivos, que sempre pensei que o CDS-PP de Almeirim deveria atingir, ainda não foram alcançados.

Não pode ficar a ideia de que a saída foi apenas cirúrgica e para limpar registo porque estava esgotado o tempo de permanência?
A ideia de uma saída para que pudesse interromper o ciclo de liderança à frente da Concelhia poderia ser verdade, não fosse o facto de haver uma necessidade pessoal. Tinha iniciado o meu último mandato em Fevereiro de 2013, já tinha sido pai e esse facto ocupava-me tempo, tempo do qual estava a gostar e que não queria perder. Resolvi nesse mesmo ano retomar um projeto antigo: tirar uma Licenciatura na área agrícola, ingressando assim na Escola Superior Agrária de Santarém, em regime pós-laboral. Sabia que isso iria ocupar o pouco tempo que me restava, mas a verdade é que esse tempo não chegava, era necessário mais. Com o início do 2º ano, em 2014, decidi não recandidatar-me, embora o pudesse fazer. A minha disponibilidade estava muito condicionada, facto esse que transmiti aos restantes elementos da minha CPC. Como estávamos perto do final do mandato, decidiu-se levar a estrutura até ao final. Na constituição da nova CPC, encabeçada pelo Nuno Duarte, este pediu-me para não me afastar e ficar ao lado dele nesta sua nova fase, mesmo sabendo das minhas condicionantes, pois queria ter o meu apoio.

Não acha que as pessoas mais distantes da política podem ver isso assim?
Quero acreditar que não, pois nenhum de nós é político profissional, temos empregos e vida para além da política. Sempre vi a minha vinda para a vida política como uma pessoa que tem uma visão e ideias diferentes para o Concelho, diferentes das que estão “instituídas” como únicas soluções e válidas há cerca de 30 anos.

Em que medida a direita em Almeirim fica a ganhar com estas escolhas?
Na minha opinião, sempre que temos pessoas com disponibilidade e vontade para colocar à disposição da comunidade os seus conhecimentos e experiências, sejam elas profissionais ou pessoais, deverão sempre ser tidas em consideração. As pessoas que convidei para fazer parte da minha equipa, tal como sempre fiz questão de o fazer, são as pessoas que constituem a Mesa do Plenário: Mário Amoroso, Nuno Bonneville e Mário Rosa.
De cada um deles, conto com as suas experiências e conhecimento, tanto a nível pessoal, profissional ou académico, pois temos elementos que são da JP. Sempre tentei juntar pessoas mais antigas na estrutura, com os mais recém-chegados. Unir a experiência e a sabedoria que o tempo nos concede, com a irreverência e juventude. Neste grupo, temos um pouco de tudo: desde elementos antigos, locais e de outras estruturas, que regressaram ou mudaram para Almeirim, a elementos mais recentes nestas andanças.

O objetivo são as autárquicas?
Estando-se a aproximar as Autárquicas 2017, será sempre esse um dos objetivos. Não será o único, mas será, nos próximos tempos, um dos principais. Almeirim tem de ser capaz de criar condições para o crescimento de diversas atividades económicas. Não pode continuar a condicionar soluções. Auxiliar as atividades já existentes na sua promoção, como por exemplo, nas várias Festas que existem pelo Concelho, onde muitas delas, para não dizer todas, servem para promover exclusivamente o Executivo e todas as associações que estão debaixo da sua alçada, seja ela a nível diretivo ou a nível monetário. As Festas têm de ser uma montra das atividades económicas de Almeirim, como por exemplo, os Serviços, a Indústria, a Agricultura ou o Conhecimento, passando pela Cultura e Associativismos. As Associações, Coletividades e Entidades devem ser auxiliadas para serem auto-suficientes, promoverem as suas atividades; não devem estar dependentes de todo o universo das suas atividades, das verbas camarárias ou mesmo da concordância com o poder local para essas mesmas verbas. O poder local deve ser usado em prol da Comunidade, independentemente das opiniões, ideias ou cor partidária.

Admite ter listas autónomas?
Sim, claro que sim! A experiência de uma Coligação nas Autárquicas de 2013 em Almeirim, permitiu-nos adquirir outros conhecimentos. A colaboração e consensos com outros pontos de vista, deu-nos maior capacidade de dialogar e delinear objetivos comuns. Esses conhecimentos irão permitir, no futuro, termos uma maior e melhor preparação para consensos e diálogos, sempre em busca do melhor para o Concelho.

Nas Fazendas até já têm candidato…
Essa pergunta terá, forçosamente, a ver com a da afirmação proferida pelo Nuno Duarte, no dia do Jantar de Tomada de Posse, (seria ele o Candidato à Junta de Freguesia de Fazendas de Almeirim). Todavia, essa afirmação ocorreu no momento em que ele próprio estava a iniciar um caminho, demonstrando assim um objetivo pessoal, e que, pela forma como o disse, levou-o a afirmar que seria Candidato para 2017. O que posso afirmar, neste momento, é que já estamos a trabalhar para as Autárquicas e os Candidatos serão apresentados no tempo que acharmos mais oportuno.

A coligação Amar a Terra não tem reunido. Porquê?
É verdade, não tem. Infelizmente, na minha opinião, pois quem perde no final é o Concelho. A Coligação Amar a Terra foi feita por pessoas que estavam à frente das Estruturas dos Partidos, na altura, que deram a cara e lutaram por ela. Por diversos motivos, algumas delas, inclusive eu, afastámo-nos. Este facto levou a que ambas as Estruturas, também devido à mudança dos elementos, se afastassem.

Aliás, reuniaram-se muito pouco e só a meio do mandato. Não é manifestamente pouco?
Sim. E como foi do conhecimento público, essa reunião foi promovida pelo Sr. Manuel Sebastião. O Presidente da Concelhia já se tinha demitido, e acabei por estar presente nessa reunião, a nível pessoal e partidário. Se é pouco? Tal como já afirmei, na minha opinião é, mas nessa altura nada mais havia a fazer.

Que avaliação faz do desempenho do vereador que elegeram?
O Sr. Manuel Sebastião, embora Vereador sem pelouro, conseguiu que o executivo desenvolvesse esforços para aplicar algumas das bandeiras/ideias que a Coligação defendeu durante a campanha eleitoral. Após as eleições, o objetivo passou a ser esse e tem sido conseguido. Assim, considero o desempenho dele, apesar das restrições, positivo.

Faz falta a presença do CDS na Assembleia Municipal?
A presença do CDS-PP em qualquer órgão fará sempre falta, mas na Assembleia Municipal ficámos muito perto de colocar um elemento, no caso seria eu, da mesma forma que ficámos próximos de colocar o 2º Vereador, que seria o José Manuel Brito Lopes. A bancada do PSD, na pessoa do João Miguel Lopes, tem feito um esforço para que, nas intervenções da bancada, se pudesse também espelhar as nossas ideias (mantendo também as siglas da Coligação na identificação da bancada) e, por isso mesmo, o meu agradecimento pessoal ao João. Não posso deixar de agradecer ao Daniel Gonçalves e à Cláudia Constantino pela representação que têm feito na Assembleia de Freguesia de Almeirim, sem esquecer igualmente o Filipe Dias. Houve e há uma grande interajuda.

Em 2017 será o João Vinagre o candidato pelo CDS?
Candidato, serei sempre! Se estarei a encabeçar a Lista para a Junta, Câmara ou Assembleia, isso não sei. Só sei que não irei afirmar que sim ou que não, tudo depende das circunstâncias da altura. Acho que posso dar muito a Almeirim, usando para isso o que a vida me ensinou, mostrou e corrigiu.

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