BREXIT. E agora?

Agora, vai ser quase como tirar um penso… vai doer, por isso o melhor é tirá-lo rápido.
Agora, confesso que nunca imaginei que o Brexit vencesse. Lido com expatriados de/para o Reino Unido, e isto parecia ser apenas um procedimento administrativo a confirmar o sim. David Cameron defendia a manutenção do Reino Unido na UE, e nas conferências em que participei sobre Mobilidade Internacional os oradores foram sempre a favor da manutenção, afirmando que esse iria ser o voto dos ingleses.
Agora, a decisão está tomada e podemos ter duas atitudes: procurar culpados e olhar para trás, ou olhar para o resultado como a oportunidade de repensar o projeto Europeu que na fase mais madura (integração política), claramente não está a ter bons resultados. O projeto e o sonho de há várias décadas atrás talvez já não faça sentido nos dias de hoje.
Agora, sondagens à boca das urnas indicam que quem votou a favor da saída foram as gerações mais velhas, as que sofreram com todo o processo de integração, contra uma vontade inequívoca das gerações mais novas de continuar na Europa. E quando pensamos nisto por esta perspetiva é assustador, muito assustador.
Agora, será que temos lideranças fortes para tirar o penso rápido, expôr a ferida e aplicar um curativo? Ou vamos dar tempo a que se criem ondas de choque e outros países venham pedir referendos como este?
Agora, as consequências para os portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido ao abrigo da livre circulação de pessoas, sobretudo para os que têm ocupações menos qualificadas podem ser desastrosas. Aquilo que em Portugal muitos sentiram quando vieram pessoas do Leste Europeu para trabalharem onde os portugueses não queriam trabalhar, vai acontecer connosco no Reino Unido. Já para não falar daqueles que vivem lá mas a contar com subsídios estatais e prestações familiares.
Agora, e no futuro, não vejo consequências para os trabalhadores qualificados (engenheiros, enfermeiros, médicos, etc.) pois esse é um mercado de trabalho com regras diferentes e que depende apenas da disponibilidade de recursos nacionais em quantidade e qualidade para essas profissões, e aí não vejo que vá mudar muito… apenas a necessidade, eventualmente, de ter um visto de trabalho como para qualquer outro país fora da união Europeia.
Agora, vamos esperar para esfriar a cabeça e nos reorganizarmos para absorver a nova realidade, adaptarmo-nos a ela e esperar que a ferida causada por este resultado cicatrize depressa e bem.

 

Helder Figueiredo – Group Director of
International Assignments

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