“O futuro passa por erradicar este extremismo do PCP de Alpiarça”

Pedro Gaspar assume-se como um político sem reservas nem “papas na língua”. Em entrevista ao Jornal O Alpiarcense, o vereador explica o motivo das suas ausências, fala das suas prioridades, dos mais recentes desenvolvimentos políticos em Alpiarça e até de futebol.

Manuel Colhe continua a substituí-lo nas reuniões de Câmara. O que motivou esta interrupção no seu mandato? É para durar?
O Manuel Colhe foi o número dois das listas do PS nas eleições Autárquicas de 2013. Foi uma escolha pessoal devidamente ratificada pelo PS e que, nas minhas ausências, seria sempre a pessoa a quem confiaria o trabalho autárquico e político. Caso tivéssemos ganho as eleições, tenho a certeza que se daria um salto qualitativo e haveria uma marca distintiva de competência naquilo que é a figura e a função de Vice-Presidente da Autarquia de Alpiarça.
As minhas recentes ausências prendem-se com motivos profissionais e familiares. Nunca escondi a minha condição de residente e trabalhador externo ao Concelho de Alpiarça e, tão pouco, a minha condição de pai.
Estarei ausente, apenas e só, em situações de completa indisponibilidade. Tenho a sorte de ter o Manuel Colhe a assegurar as minhas ausências com toda a competência e disponibilidade. Disponibilidade a mais, diga-se. Disponibilidade essa que, como é do conhecimento geral, é forçada por motivos políticos. É agonizante ver um profissional com a sua experiência e competência afastado de funções efectivas na Autarquia só porque teve o “atrevimento” de concorrer nas listas de um Partido politico da oposição. O Futuro passa por erradicar este extremismo comportamental de alguns elementos influentes do PCP de Alpiarça.

O que acha que vai mudar agora que João Céu foi eleito presidente da concelhia do PS de Alpiarça?
O João do Céu propôs-se como candidato a Presidente da Concelhia do PS de Alpiarça com um programa onde promete muito trabalho. Apenas e só muito trabalho. É isso que espero dele.

Quais são as suas expectativas relativamente às próximas autárquicas?
Alpiarça precisa, como bem diz o nosso povo, de mudar a Gestão da Autarquia como de “Pão para a Boca”. O Presidente Mário Pereira confessa, com alegria, que é o PCP quem manda na Câmara e não o Executivo por ele liderado. Está a ser feita uma gestão de como se fazia em 1976. Estamos parados no tempo e a pensar como há 40 anos atrás. Em resumo, o PCP de 1976 é quem está a gerir uma Câmara em 2016. Através deste pensamento percebemos a incapacidade, o ostracismo politico de adversários e o definhar de Alpiarça. É um angustiante regresso ao passado. O caminho do caranguejo.

Pensa apresentar-se como candidato a estas eleições?
Sou daqui, de Alpiarça. Estou sempre disponível para ser parte das boas soluções para a minha terra. Disponível para construir pontes de diálogo à esquerda e à direita. Disponível para demonstrar na prática que Alpiarça não pertence a nenhum partido e muito menos a uma ou duas famílias. Esta é uma terra de gente simples e humilde, não há cá espaço para vaidades ocas. Da mesma forma, estou indisponível para ser a areia na engrenagem. Um político tem de perceber que os cargos são efémeros, tem de conseguir percepcionar a vontade dos seus pares e deve evitar impôr a sua vontade em detrimento do interesse geral da comunidade. Em conclusão, continuarei a fazer o meu trabalho e o futuro responderá a essa pergunta.

Não esteve presente na reunião partidária do PS que decorreu no dia 11 de julho nas instalações da Junta de Freguesia de Alpiarça. O que motivou essa ausência?
Motivos profissionais inadiáveis. Tenho filhos para criar e uma empresa que enfrenta a difícil conjuntura da economia nacional.

Mesmo estando do lado de fora, tem acompanhado os desenvolvimentos políticos em Alpiarça? Há alguma coisa em particular que lhe tenha suscitado interesse ou indignação?
Quem lhe disse que estou do lado de fora? Morar e trabalhar numa outra terra não é estar do lado de fora. É, muitas das vezes e pelo contrário, estar do lado de dentro. Toda a informação que necessito me chega através do meu grupo de trabalho que esteve sempre comigo desde 2013. Por outro lado, as realidades que observo noutras autarquias, nomeadamente as Autarquias de Lisboa e Oeiras, permitem-me ter outra visão mais abrangente. Se este Executivo saísse dos gabinetes, largasse o vicio eleitoralista e as redes sociais e viesse espreitar o mundo exterior talvez estivessem, eles sim, mais por dentro dos problemas de Alpiarça. E isso sim, respondendo à pergunta, deixa-me indignado.

Eduardo Cabrita, ministro adjunto, afirmou durante a reunião partidária do PS “se os camaradas da Câmara tomarem más decisões serão escrutinados agora e voltarão a sê-lo nas eleições”. Acha que a gestão do executivo da CDU está a abrir caminho para que uma outra força política tome o seu lugar já nas próximas eleições?
Se as eleições fossem o reflexo da competência e falta dela, este executivo só teria feito o primeiro mandato. Mas, como todos sabemos, existem muitos outros factores como sejam a fidelização dos votos no PCP em Alpiarça, as festarolas, o Porco Assado, os campos da Bola do Casalinho entre outros mimos que muito se vão intensificar até 2017. Podemos já começar por observar que a Câmara continua a contrair empréstimos de curto prazo que vão ser desastrosos para Alpiarça e que servem para poder “mimar” o eleitorado. Basta observar o leque de artistas que este ano vêm actuar à Alpiagra e comparar com os outros anos anteriores. Não há dinheiro para a cobertura total da acção social, para a recolha de lixos, para limpezas e desmatação em tempo de fogos, para equipamentos para os Bombeiros, o prazo médio de pagamentos a fornecedores disparou, a dívida vai aumentar… mas desde que haja festa, o povo vota. Mas receio que esta ânsia de ganhar a qualquer preço faça implodir as contas da Autarquia em 2018.

Há sangue novo na JS de Alpiarça. Acompanha de perto o percurso, ideologias, sugestões e iniciativas dos jovens militantes?
Há sangue novo e muito trabalho já produzido pela JS e pelo seu Presidente Rodolfo Colhe. O trabalho é intenso no terreno e no intelecto. Reconhecimento disso é a nomeação do Rodolfo Colhe para Secretariado Distrital da JS, o órgão executivo da Federação. A relação estreita de amizade que tenho com o Rodolfo e com os restantes membros da JS faz-me ter um conhecimento profundo e sempre actualizado das iniciativas, projectos e ideias. Temos muito potencial na JS.

Que pergunta gostaria que lhe tivéssemos feito e o que teria respondido?
São poucas as coisas a que não respondo. Quem se propõe a um cargo público e o exerce com amor, como é o meu caso, tem de estar preparado para a exposição pública. Mas poderia ter-me perguntado como é esta sensação de ser Campeão Europeu pela primeira vez. Teria respondido com todo o gosto.

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