Da esquerda para a direita: Turismo

Estamos em agosto, o mês por excelência do turismo. Almeirim tem alicerçado a sua oferta turística na gastronomia, tendo como grande base a Sopa da Pedra, e procurando desenvolver outros produtos gastronómicos associados: as caralhotas, os vinhos e recentemente um doce (pastel do frade) e um salgado (trouxa de pedra). Contudo, o produto gastronómico, do ponto de vista das motivações da procura turística, é um produto complementar e não um produto principal. Com efeito, ninguém virá passar uma semana de férias a Almeirim para comer Sopa de Pedra. Almeirim ao alicerçar a sua estratégia de promoção na gastronomia irá conseguir captar um “turismo de passagem” ou “excursionismo”, ou seja, uma deslocação com motivação de lazer mas que não existe pernoita. E devemos perguntar porque é que as pessoas não pernoitam em Almeirim. Na verdade, além da Sopa de Pedra, pouco é conhecido do concelho, não há nada que fixe os visitantes depois de almoçar. Se a oferta hoteleira depende dos agentes privados, a oferta cultural já não. Com efeito, esta é muito fraca, assentando essencialmente em iniciativas episódicas, algumas (poucas) de qualidade mas sem que se consiga vislumbrar uma política cultural estruturada. Pode-se optar por soluções que custam muito dinheiro, como é o caso do Centro de Interpretação das Escolas Velhas (que ainda ninguém percebeu muito bem o que é que vai ser), ou por outras, com custos bem inferiores, com impacto mais imediato em quem nos visita, como por exemplo a elaboração de circuitos com informação sobre os pontos de interesse, incidindo nomeadamente na zona antiga da cidade. Uma boa sinalética é também importante para permitir uma fácil mobilidade aos visitantes. Por outro lado, nas freguesias, pode ser seguida a mesma estratégia, com espaços que são das autarquias locais (como o Paço Real da Ribeira de Muge ou a Herdade dos Gagos, que tem vários equipamentos de lazer: percursos pedestres, além dos parques de merendas do Vale D’Água e da Barragem dos Gagos), mas também aqueles que sendo privados, têm interesse cultural e que os proprietários podem estar interessados em “abrir portas”: o Pórtico do Convento da Serra, as diversas igrejas, adegas, quintas agrícolas, entre outros. Inexplicavelmente o Posto de Turismo tarda em se instalar na zona da Praça de Touros (nem que fosse numa estrutura provisória), sala de visitas da cidade e a partir da qual se encaminhariam os visitantes para outros pontos de interesse da cidade e do Concelho. Em vez disso o atual “Posto de Turismo” assemelha-se mais a um departamento administrativo instalado no edifício da Câmara Municipal, onde nunca deve ter entrado um turista. Com uma oferta assim estruturada, podemos apostar nos chamados “short breaks”, ou seja, naquelas estadas curtas, normalmente fins-de-semana prolongados fora do verão, em que se sai de casa para conhecer uma nova zona. Não podemos esperar que quem vem de fora procure mais razões para ficar em Almeirim se não lhas oferecermos.

Samuel Rodrigues Tomé
Membro do Partido Ecologista “Os Verdes” e da CDU de Almeirim

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