Sapatos há muitos, Sapateiros é que não

A arte de ser sapateiro é algo que se está cada vez mais a perder. São poucos os sapateiros que se encontram hoje em dia. Sapateiros no verdadeiro sentido da palavra, que constroem o seu produto totalmente de raiz.

Simão Monsanto, 67 anos, é sapateiro desde os 12 e aprendeu o ofício com o mestre José Soares. Começou por endireitar os pregos que ficavam tortos nos sapatos, hoje em dia faz sapatos para clientes de Norte a Sul do país.

Simão já chegou a ter 11 empregados na sua loja, “já chegamos a ser 12 aqui a trabalhar. Foram morrendo e como não há ninguém a querer aprender…”. A falta de aprendizes e de quem queira continuar a “arte” torna esta profissão em algo que nos próximos anos se vai extinguir.

Os clientes são maioritariamente pessoas ligadas à agricultura e ao mundo da tauromaquia “Antigamente usavam este tipo de sapato no dia-a-dia. Há 25 ou 30 anos toda a gente usava este tipo calçado, hoje é quem está ligado ao campo ou aos cavalos e aos touros. É um cliente específico”.

A ligação entre Simão Monsanto e a Escola Superior Agrícola de Santarém é já antiga. Há muitos anos que Simão tem clientes que estudavam na escola agrícola e lhe encomendavam as “botas de prateleira” que eram obrigados a comprar. O mestre sapateiro conta que tem um cliente, antigo estudante da Escola Agrícola, que vive na zona de Bragança e que ainda lhe encomenda calçado.

A sua ligação à tauromaquia é também grande, com vários forcados a encomendarem os seus sapatos típicos do traje ao sapateiro de Almeirim.

Os sapatos de Simão Monsanto demoram cerca de um dia a fazer. O processo é complicado. A primeira fase é tirar a medida ao cliente, dedos, peito do pé, comprimento e largura são medidos. Depois o cabedal é cortado em seis partes. Simão corta-as e leva para casa para a mulher coser. Quando o cabedal está pronto é pregada na forma “fica tudo cheio de preguinhos, pregados à forma”. Palmilha-se e põe-se a sola, depois pontilha-se, ou seja, cose-se a sola à bota. Os últimos passos é fazer o salto e os acabamentos.

 

 

André Azevedo

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