Da esquerda para a direita: Guterres

No passado dia 6 de outubro, António Guterres foi eleito Secretário-Geral das Nações Unidas quando o Concelho de Segurança aprovou, por unanimidade e aclamação, a resolução que recomendou à Assembleia Geral a sua designação para o cargo. O significado desta eleição, para Portugal e para todos os que no mundo partilham a Língua Portuguesa, é de tal grandeza que justifica o desvio na temática deste espaço de opinião que, regra geral, aborda assuntos de maior proximidade, como o são Almeirim e a nossa região. António Guterres ascende ao topo das Nações Unidas – no processo de escolha do secretário-geral mais transparente que se realizou até hoje – por mérito próprio, pelas suas capacidades de político, pelo seu brilhantismo e não através dos habituais jogos de interesses que as grandes nações costumam usar nestas ocasiões. E as grandes potências sabem que Guterres não será um secretário-geral amorfo ou ao serviço de qualquer poder. Atrevo-me a dizer que o mundo merece, finalmente, ter quem tem à frente das Nações Unidas. Só um político com a sua experiência, estrutura moral e humana estará preparado para lidar com a heterogeneidade de nações e povos que habitam este planeta. As inegáveis qualidades de estadista só são suplantadas pela dimensão humana do seu carácter. Porque Guterres é intrinsecamente um humanista. Um homem que, na sua enorme vontade de servir, sempre pôs o interesse do coletivo à frente dos interesses pessoais. Ao contrário de outros que por cá andaram ou andam … A grande unanimidade que em Portugal se verificou em torno da sua candidatura, com apoios vindos de todos os quadrantes políticos e sociais, só por si é testemunho do seu enorme valor. Penso que, além dele, só outro português atingiu o mais alto cargo numa organização de implantação mundial, e remonta ao século XIII: o Papa João XXI. António Guterres começou a sua intervenção cívica na Juventude Universitária Católica, tendo mais tarde aderido ao Partido Socialista, foi deputado à Assembleia da República – ficaram famosos os seus dons de tribuno e a sua oratória clara e demolidora – e depois eleito primeiro-ministro de Portugal por duas vezes. Lembro, dessa época, a forma entusiástica como, durante as campanhas eleitorais, sempre foi recebido em Almeirim e como esse entusiasmo foi presságio das suas vitórias. Todos os que tiveram, em algum momento, o privilégio de lidar com ele foram testemunhas do seu carisma e da sua capacidade para dialogar, unir e motivar quem o rodeava. No próximo dia 1 de janeiro de 2017, António Guterres será empossado como 9º Secretário-Geral das Nações Unidas. Esse dia irá ficar assinalado para sempre como uma data importante na nossa história mas também na do mundo. Provavelmente, para alguns leitores, terei exagerado no entusiasmo e no tom apologético. Provavelmente. Mas, desculpem lá, é que esta eleição faz-me mesmo ter orgulho em ser Português.
Gustavo Gaudêncio Costa
Presidente da Concelhia do PS de Almeirim

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