Pampilho ao Alto 20: sem apelo nem agravo

Quando se queria dizer a alguém o quão pouco valia como pessoa, o baixo conceito em que era tido/a, ou cujo caráter nem uma discussão valia, era hábito dizer-se: vales menos que uma nota de vinte. O comentário vem do tempo dos escudos, e era o baixo valor de uma nota de vinte escudos (hoje dez cêntimos, aproximadamente) que servia para balizar o valor de quem se queria atingir com a depreciação. Quando, malevolamente, se queria atingir a honra de alguém dizia-se que era filho de uma nota de vinte, tal era o preço cobrado pelas meretrizes (hoje trabalhadoras do sexo), o que, na realidade, equivaleria a dizer a alguém que era filho da P…ta. Dizia-se igualmente que este era o valor (uma nota de vinte) pelo qual qualquer assaltante mataria o assaltado, sendo corrente a expressão de então “ a nossa vida vale tanto como uma nota de vinte”.Porém, hoje, infelizmente, a nossa vida nem uma nota de vinte vale. As pessoas são esfaqueadas por se recusarem a dar um cigarro. Ora, o valor da vida passou de uma nota de vinte a ser o de um ou dois cigarros. Estes marginais que pelo motivo mais fútil, ou não, se predispõem a retirar a vida ao seu semelhante têm de ser julgados com mão pesada. A justiça não é nem deve ser retributiva, mas uma pena exemplar, efetiva e integralmente cumprida, seria desmotivador destes e doutros desmandos sociais. Claro que a pena deveria ser acompanhada de um processo de efetiva reintegração, assim se cumprindo a vertente social das penas. O cidadão ordeiro, trabalhador, cumpridor dos seus deveres e pagador dos impostos que sustentam o sistema de segurança deve exigir que estes e outros desmandos terminem ou sejam drasticamente reduzidos. A segurança dos cidadãos não pode ficar reduzida ao ato de dar ou não um cigarro. Um policiamento de proximidade resolveria, pela prevenção, muitos destes e outros problemas. Mas enfim, o fundamental é camuflar estes e outros problemas com uma estatística do politicamente correto, quer dizer, de agradar a Gregos e a Troianos, o que desde sempre se tornou manifestamente impossível. A Justiça tem de ser musculada e célere. Numa forma aligeirada de ver as eleições nos USA, salta à vista que a paciência dos cidadãos eleitores, ordeiros e pagadores de impostos esgotou-se para com o politicamente correto, e o resultado ficou à vista; por causa disso “e doutras coisas” Trump é o Presidente dos USA. Quem diria.

Ernestino Alves – Advogado

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