Nós e os nossos

Com a chegada do mês de dezembro, chega a ansiedade que se tem vindo a associar a esta época. A sociedade moderna está tão acelerada, que o sentimento harmonioso e de conforto que outrora o Natal nos trouxe, é agora grandemente substituído pelo stress das filas, das confusões, das compras, da comida… e, infelizmente, cada vez mais marcado pela angústia de não se ser capaz de fazer face às novas exigências sociais do Natal, como os gastos exagerados. Este sentimento é completamente devastador no seio familiar, que ao invés de se focar naquilo que é possível e preciso, tende a focar-se no que, eventualmente, poderia ser, oferecendo à própria família um sentimento de culpa, frustração e falhanço. E assim, facilmente nos perdemos nesta necessidade de tentar corresponder ao socialmente suposto e imposto, em detrimento do que realmente importa. Mas como podemos contrariar isto? Do que é que as famílias precisam nesta altura? O que precisam sempre. É urgente simplificar, prestar atenção, ouvir, partilhar, estar. É isto que a família precisa. E porque não tentar neste Natal? Um bom exercício para se fazer é, por exemplo, aproveitar a troca de presentes para também trocar palavras, oferecendo cartas aos familiares e amigos. Escrever o que não foi dito durante o ano, reforçar a importância e o papel dessas pessoas, recordar momentos vividos. Já que se junta a família alargada, é também um momento ideal para relembrar tradições, contar histórias de outros tempos, rever fotografias… Este tipo de reflexão e partilha permite, muitas vezes, ao sistema familiar reestabelecer o foco necessário para recuperar o equilíbrio, um ótimo presente para oferecer no Natal.
Vânia Conde
Terapeuta Familiar e de Casal

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