Memórias – 15 de fevereiro

Tenho algumas ocasiões em que preciso de parar algum tempo para pensar no tema a escrever neste espaço. No entanto, nesta edição, isso quase não foi preciso e tudo porque passei um bom bocado da manhã a conversar com Carlos Gomes. Foi uma conversa agradável e que me fez recordar os tempos em que vivi o carnaval de forma muito entusiástica e em que partilhei momentos muito especiais com Vitor Franco. Primeiro o Carnaval. Vivi os corsos de duas formas diferentes. Eu, que nunca fui um folião, passei a primeira experiência no carro que o aeromodelismo de Vitor Franco passara muitos dias a fazer no ginásio do U. Almeirim, perto da igreja. Espaço que outrora era ponto de encontro de tanta gente e, hoje em dia, para tristeza de muitos, está em ruínas. Nesse ginásio e nessas oficinas passámos horas e horas a construir sonhos e a brincar ao carnaval. Depois cheguei, nos primeiros tempos na rádio, a fazer parte da equipa que transmitia as emoções nas ondas hertzianas. Fazíamos de tudo para que esse também fosse para nós um grande dia. Ou melhor, dois grandes dias. Os corsos tinham três dias. O sábado era uma espécie de ensaio geral e depois o domingo e terça era a doer. Dias únicos que marcaram várias gerações. Depois as (ótimas) memórias do Professor Vitor Franco. Dele, lembro-me muitas vezes. Não só quando passa o dia 1 de abril (dia da sua morte), nem quando vejo uma carrinha azul de caixa aberta, nem só pelo “cu do frango”, isto só quem fazia aeromodelismo perceberá … mas em tantas outras ocasiões. Almeirim precisava de mais gente como o Professor.