“Se fosse Campeão do Mundo, provavelmente terminava”

Rodolfo Dias é vice-campeão do mundo de 24h em BTT. O atleta, natural da Raposa, conseguiu o segundo lugar no “Wembo World 24H MTB Championship”, que decorreu nos dias 2 e 3 de junho, em Itália. Antes de partir, Rodolfo Dias dizia que “o objetivo principal é o Mundial”, a prova rainha de resistência em BTT.

Recorde-se que Rodolfo Dias foi o campeão europeu de BTT em veteranos, em 2013 e em 2015 alcançou o pódio na “Powerade MTB Non Stop Series”, um percurso de 774 quilómetros entre Madrid e Lisboa. O atleta da Raposa conseguiu acabar a prova em terceiro lugar em 47h22m. Durante esta prova, o atleta contou com o apoio da “HAST”, uma marca 100% portuguesa de Soluções de Transportes (Barras de tejadilho; suportes para bicicletas; etc).

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Rodolfo Dias, primeiro que tudo, que balanço faz da participação no “Wembo World 24H MTB Championship”, em que se sagrou vice-campeão do mundo de 24h em BTT?
O balanço é naturalmente positivo, estar no pódio dum mundial está ao alcance de poucos e, naturalmente, estou super satisfeito.

Como foi a corrida?
Esta corrida foi em tudo diferente das outras: começava com uma corrida a pé de cerca de um quilómetro até chegar à bicicleta e depois começávamos a pedalar num circuito com uma dureza ímpar, com 10km e 350 metros de acumulado, como nunca tinha feito.

Como se gere o esforço neste circuito?
Não é fácil de explicar: ao contrário do que as pessoas pensam, que neste tipo de corrida começamos logo a gerir, isso não acontece. Assim que a corrida começa, é dar tudo para ficar na frente e depois gerir as diferenças para os adversários, nas primeiras horas; depois, é ligar o “piloto automático” até ao fim.

O que falhou para não conseguir a vitória?
Ainda não percebi muito bem, sei que tive dores de estômago, mais ou menos as 14h de corrida e deixei de ingerir alimentos, e passei só a beber água, o que é insuficiente, ou seja, resolvi o problema do estômago mas fiquei em hipoglicemia e fui obrigado a parar 45m; depois de ingerir o equivalente a 20 pacotes de açúcar, retomei mas já tinha uma volta de atraso para o primeiro e era impossível ganhar tanto tempo até ao final da corrida.

Confirma que o objetivo era sagrar-se campeão e colocar um ponto final na carreira?
Sim, se fosse Campeão do Mundo, provavelmente não voltava a fazer corridas de 24h!

Este segundo lugar fez com que mudasse de planos?
Sim, neste momento, se conseguir arranjar apoios, posso ter a hipótese de ir ao Campeonato Europeu e ao Mundial de 2018.

Que sacrifícios fez para chegar a esta prova? Quer nos treinos quer, também, por exemplo, na alimentação?
Abdiquei de muita coisa, eu não sou profissional, tenho o meu emprego que não posso prejudicar, e essa despesa acaba por ser suportada pela família com a ausência diária para treinar e competir.
Na alimentação, fiz um sacrifício enorme para chegar com o peso que queria: nos 2 meses que antecederam a prova, quase que pesava a comida e não cometi qualquer excesso!

Para ir a esta prova que apoios contou?
O maior apoio que tive foi a família e alguns amigos, sem dúvida, mas não seria possível sem a “HAST-Soluções de Transportes”, que me apoia desde 2013, a Ribabike na preparação da bicicleta e dos treinos da NCtraining.

Os resultados desportivos recentes aumentaram a exposição. É agora mais fácil captar apoios?
Creio que sim, já tenho algumas novidades para 2018 que ainda não posso revelar, mas estou naturalmente confiante que vou conseguir esse apoios para voltar ainda mais forte em 2018!

Mesmo assim é uma modalidade dispendiosa?
Sim, sem dúvida. A maior despesa é sempre suportada por mim.

Quando terminar, quer continuar ligado à modalidade? Como?
Nunca pensei bem nisso, mas quando deixar de competir a este nível não vou parar e vou continuar a andar de bicicleta com os meus amigos dos Tigres do Pedal e, provavelmente, irei continuar ligado ao CAJ, clube pelo qual me federei este ano para ir ao Mundial.

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