Pampilho ao alto XXXVI

Desde alguma bicada nas autárquicas, aos incêndios que nos queimam a floresta, habitações, hortas, pomares e nos levam vidas, optei pelo mais que rebatido tema, “incêndios”. Não consigo utilizar uma linguagem politicamente correcta “como agora se diz”, para com os canalhas que ateiam esses incêndios, nem tão pouco para os que pela acção governativa podiam e deviam evitar esses incêndios. Só por respeito àqueles que têm a paciência de me ler não utilizo os nomes próprios para os que fazem dos incêndios a forma de fazer fortuna.

Estes abutres alimentam-se da desgraça que eles próprios infligem aos outros, pouco se importando se para isso tiverem de morrer pessoas. Somos um povo pacífico, mas a nossa passividade não pode ser levada ao ponto de permitirmos que se assista de braços cruzados à perda de vidas e à destruição de uma riqueza nacional que a todos pertence, e que, todos ainda tenhamos que pagar pelos impostos, os custos das acções dessas quadrilhas de malfeitores incendiários. Chamemos as coisas pelos nomes: os políticos que tivemos a desdita de ter como Governos depois do 25 de Abril, cometeram um crime por omissão: descuraram a prevenção dos incêndios. Não houve uma política de ordenamento florestal que inibisse a possibilidade da existência de incêndios, ou se houve, não foi aplicada, o que vem a dar no mesmo.

E não se argumente com a falta de verbas para executar esse ordenamento florestal, pois as gastas em prevenção dos incêndios seriam infinitamente menores que as necessárias a extingui-los. As verbas para a limpeza das florestas, deveriam ser atribuídas a cada proprietário em função da área de floresta, e aquele que lhes desse destino diferente, seria condenado à sua devolução em triplo sem prejuízo da sua condenação a prisão efectiva. Igualmente a limpeza das matas do Estado ficaria a cargo de um organismo próprio para o efeito ou seria delegada no município de localização das matas, com responsabilização do seu Presidente pela não execução dessa tarefa. Com estas medidas simples e económicas, ficariam a ganhar as populações, os bombeiros e o País, tendo apenas o inconveniente de reduzir ou acabar com suspeito negócio ligado aos incêndios. A panóplia de equipamentos (alguns nem funcionam) deixaria de ser necessária, ou de necessidade bem reduzida.

Uma palavra de apreço aos abnegados bombeiros que com o risco da própria vida vão tentando amenizar o mal que outros propositadamente promovem.

Tenham umas boas férias se for o caso, sempre de Pampilho ao Alto

Ernestino Alves – Advogado

 

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