“Sou uma sonhadora de pés bem assentes na terra”

Débora d’Oliveira é uma cantora almeirinense, que se evidenciou no programa da SIC “Just Duet”. Chegou às meias-finais do concurso pela mão de Paulo de Carvalho mas diz-se injustiçada pela saída sem critério. O Almeirinense entrevistou a artista para perceber como correu esta fase da sua vida e quais os planos para o futuro da jovem.

Débora, que balanço faz da sua participação no “Just Duet”?
Faço um balanço extremamente positivo desta experiência no Just Duet por várias razões, mas acima de tudo porque acredito que o vencedor não é só o concorrente que ganha, são todos aqueles que conseguem tirar partido da sabedoria, experiência e ensinamentos de toda a equipa de músicos, professores e técnicos do programa durante o tempo que lá estão, que foi o que sempre tentei fazer.

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Quando começou, pensava chegar tão longe?
Não, de todo. Depois de tantos “nãos” consecutivos, as expectativas que antes existiam deram lugar ao “tentar, na certeza de que será mais um não”, e isso acabou por fazer com que saboreasse e valorizasse todas as pequenas vitórias durante o meu percurso no programa de uma forma bem mais intensa e especial.

Mas chegada ali, a final estava muito perto!
Sem dúvida, e isso é algo que nos provoca um turbilhão de emoções que não são fáceis de controlar em palco. A partir do momento em que chegas às galas em direto de um programa de televisão, a final fica literalmente a três passos.

Quais os maiores ensinamentos?
Aprendi num primeiro momento que bem sucedidos e felizes são os que nunca desistem de tentar. Posteriormente, sinto que sou uma pessoa muito mais culta, musical e culturalmente, e que a música, tal como qualquer outra área, precisa de jovens com garra e vontade de trabalhar e não dos que julgam que tudo lhes vai chegar de mão beijada, que, infelizmente, são a grande maioria.

Quais as maiores dificuldades que teve?
Controlar os nervos é a batalha mais difícil de ganhar, ainda por mais quando estamos expostos a tanta pressão social e somos o centro das atenções. Mas tudo se aprende e se domina com o tempo.

Consegue eleger o momento mais marcante pela positiva?
O momento da minha primeira audição, na qual cantei uma música que adoro mas que não tinha grande potencial para me levar mais longe no programa, e onde fui agradavelmente surpreendida com a reação positiva e efusiva de dois dos artistas que mais admiro em Portugal: o Héber e o Agir.

E pela negativa?
A semifinal. Não por ter saído mas pela forma injusta e sem critério como saí.

O que mudou com a participação no programa?
Tudo. O que antes era um sonho distante, agora é uma realidade do meu dia a dia, a par da minha profissão. Aproveito para fazer publicidade aos meus projetos na música: Faço parte do coro da banda HMB – os 9! Estou inserida num projeto chamado “Estrelas de Portugal”, onde canto a solo e em dueto com outros artistas. E, mais recentemente, eu e o Ivo Soares, concorrente finalista da equipa do Héber, iniciámos um espetáculo a dois, onde atuamos a solo e em dueto.

E agora?
Agora é a fase de adaptação à nova realidade, a fase de aprendizagem de gestão de tempo entre o Direito e a Música mas acima de tudo a fase de aproveitar as oportunidades e as portas que se abriram com a participação no programa.

Como começou o gosto pela música?
Gosto de ouvir música desde que me lembro, mas o gosto por cantar só apareceu bem mais tarde, aos 12 anos. Quando efetivamente descobri que talvez fosse boa ideia explorar o canto, fiz tudo no segredo dos deuses, não fosse a vergonha falar mais alto, mas esqueci-me que as paredes têm ouvidos e rapidamente descobriram que eu até era afinada.

Chegou a participar em concursos?
Fui a muitos pre-castings mas nunca passei daí.

Que lhe diziam as pessoas que a ouviam cantar?
Elogiavam imenso e incentivavam-me a investir na Música, mas a realidade é que ainda hoje sou extremamente autocrítica com as minhas atuações e com o meu trabalho na música, e por ser muito difícil alguém ouvir um “hoje correu mesmo bem” sair da minha boca, nessa altura não senti segurança suficiente para me aventurar.

Quando foi a primeira atuação com público?
Foi com o Conservatório de Música de Santarém, num recital, inserida num coro. Sozinha, foi com uma amiga do Conservatório na Portela das Padeiras num evento de dadores de sangue.

Como foi a reação?
Achei que tinha sido tão péssima, que não cantei nos dias seguintes. A reação do público foi boa mas naquele momento só me preocupava aquilo que eu tinha ouvido e não tinha gostado.

Fazer disto um modo de vida não está nos seus planos?
Sou uma sonhadora de pés bem assentes na terra e por isso a resposta a essa pergunta é um Talvez, na certeza de que se algum dia decidir aventurar-me e não correr bem, serei sempre Advogada!

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