Da esquerda para a direita: Seria trágico

No início de agosto, a cidade de Almeirim e o lugar da Tapada foram assolados por aquilo que podemos chamar uma “Tragédia Natural”. Por causas naturais (que podem ser mais ou menos induzidas pelo Homem, mas ainda assim fora do seu controlo), houve um colapso de um furo que abastece o sistema da cidade e da Tapada, originando falta de água. As populações viram-se privadas de um bem de primeira necessidade, logo podemos dizer que estamos perante uma “tragédia”.

Contudo, dentro de todas as tragédias possíveis e imaginárias, esta será aquela em que será mais fácil apoiar a população: não há mortos, feridos ou desalojados. Apenas não há água. E o que foi mais lamentável de se ver é que a autarquia, além do cabal ponto de situação feito de uma leviana forma via redes sociais pelo presidente, nada mais fez para apoiar as populações.

Isto é tanto mais grave quando o atual presidente quer, ou faz por tornar Almeirim na Capital da Proteção Civil, com um Campus da Proteção Civil que agrega entidades que sabem acudir a tragédias, estas e outras bem mais graves. No entanto, quando as populações têm um problema e precisam de ajuda, a câmara nada faz para lhes dar auxílio. Isto denota aquilo que a CDU vem a denunciar há muito tempo a esta parte, em várias situações: não há planeamento para nada, todas as soluções vão sendo tomadas ao sabor do momento em cima do joelho. Quando é para algo positivo, a coisa vai andando. Quando é para algo negativo, o cenário torna-se mais complicado, como se viu. Neste caso específico, muito se poderia fazer, tanto que foi apenas uma parte do concelho que esteve abrangido pelo problema. Podia ter-se pedido o auxílio dos bombeiros para distribuição de água pela população (afinal existem captações de água noutros pontos do concelho que continuavam a funcionar em pleno – e parece que um benemérito sem responsabilidades autárquicas teve essa mesma ideia e ajudou os seus vizinhos).

Podiam ter-se aberto os balneários dos pavilhões desportivos de Fazendas de Almeirim e Benfica do Ribatejo para as populações poderem fazer a sua higiene pessoal, principalmente a das crianças. E os idosos sozinhos e sinalizados? Alguém foi ver como estavam e do que precisavam?
Isto foi “apenas” a privação de água durante dois dias a cerca de 12 mil habitantes. E se tivesse sido um incêndio de grande escala? Ou um sismo? E se aquela “bomba atómica” que está em Almaraz (e que muitos teimam em ignorar) rebenta e vem pelo Tejo abaixo? É urgente prepararmo-nos para estas tragédias!

 

Samuel Tomé – PEV / CDU Almeirim