“Quim da Farmácia” deixa vida política após mais de duas décadas (c/vídeo)

 

Joaquim Sampaio teve uma vida ligada à política e às pessoas. O cargo de Presidente da Junta de Freguesia de Almeirim foi o que mais o aproximou do povo, nunca dizendo não a uma palavra ou um beijinho. O “vereador do povo” está de saída da vida autárquica e ao Jornal O Almeirinense faz um balanço muito positivo dos mais de 20 anos na política e projeta o futuro.

Que balanço é que faz destes quatro anos de vereação?
A vereação para mim foi positiva, eu tive pelouros, uns mais complicados, naturalmente, e outros menos complicados. Aquele que me deu algum prazer foi realmente a ação social, isso deu-me prazer. Infelizmente, nós temos situações graves no país e Almeirim não é uma exceção, naturalmente. E ajudei. Ajudei muito a resolver problemas de famílias que, se calhar, se não tivessem o apoio que a câmara lhes deu na altura, neste caso a ação social, o gabinete da associação social e com o apoio do senhor presidente, naturalmente, porque nós criámos no orçamento uma verba que distribuía mensalmente para aqueles pagamentos habituais, onde tinha de se pagar a luz, a água, medicamentos, óculos, rendas de casa, com uma pequena verba conseguimos ajudar muitas famílias.

Foi esse o melhor momento e o que mais gostou de fazer nestes quatro anos?
Foram os melhores momentos no sentido de poder ajudar. Não seriam os melhores momentos porque entravam no meu gabinete pessoas completamente desesperadas para resolver os seus problemas, naturalmente, e eu tinha esse problema também comigo, mas foram momentos muito agradáveis, nós sabermos que íamos resolver os problemas das pessoas naquele momento, porque depois possivelmente as coisas viriam a complicar-se da mesma maneira. Naquela altura sentia-me bem por isso.

O que é que menos gostou nestes quatro anos?
Eu não tenho pontos negativos nestes quatro anos. Eu gostaria também aqui de frisar, e acho que é importante frisar isto, os meus colegas de vereação, além do presidente Pedro Ribeiro, praticamente tínhamos contacto diariamente, porque eu fui presidente de junta e ele já era vereador e tinha pelouros e frequentemente nós falávamos para tratar de assuntos, os outros vereadores eu conhecia e foram extremamente agradáveis os momentos que nos passávamos, que todos nós conseguimos levar estes quatro anos de executivo sem problemas, todos nós colaborámos uns com os outros e eu acho que vou daqui muito mais rico ao fim destes quatro anos e porquê? Porque conheci outras pessoas, nomeadamente os meus colegas de vereação, que de facto eu considero do melhor que nós poderíamos ter, sempre preocupados com tudo, colaborantes, sempre com o desejo de ajudar quem precisava, nomeadamente se eu precisasse de ajuda, ajudavam-me e vice-versa. Isso foi gratificante. Se cada um de nós levasse os nossos problemas para nós e depois não tentássemos ajudar a resolver os problemas dos nossos colegas as coisas não correriam tão bem e por aí acho que só por isso valeu a pena também. E o meu agrado exatamente por isso, naturalmente.

Ter estado na área social fez com que visse o mundo de forma diferente?
Eu já via. Eu sempre gostei. Eu quando estava na farmácia (comecei na farmácia) já aí tive o privilégio de trabalhar num sítio onde a minha patroa, embora fosse uma pessoa que parecia dura, era uma senhora que ajudava muito as outras pessoas. Nessa altura aprendi com ela também. Aprendi muito com ela porque fui para a farmácia com 15 anos, saí de lá com quarenta e tal. Entretanto, ela faleceu e eu já não estava na farmácia e ela ajudou-me a conhecer um pouco o que era a parte social. Quando vou para a junta tento praticar um pouco a ação social a uma escala menor, naturalmente, dentro daquilo que me era possível fi-lo. Portanto, vim para a câmara com o mesmo espírito social e acho que fiz aqui o que era possível fazer.

Ainda há muito mais a fazer nessa área?
Naturalmente que sim. No próximo mandato os problemas não vão acabar facilmente. Existem famílias que não estão devidamente estruturadas e têm de ser ensinadas, mas para isso também tenho um gabinete de ação social.  De facto,  também tive o privilégio de contar com elas, sem elas também não seria possível fazer aquilo que eu fiz e, como sabem, eu atendia à terça e à sexta-feira, mas à terça-feira, principalmente, onde uma técnica da ação social estava sempre comigo, pude conhecer também a realidade e elas abriram-me também muito os olhos em muitas coisas e ajudaram-me bastante, ainda hoje ajudam e vamos esperar que elas vão continuar, com certeza, porque elas são funcionárias da câmara, eu é que vou sair, mas elas vão ficar e penso que irão continuar a fazer esse trabalho que nós ao longo destes quatro anos fizemos e penso que as pessoas nos vão reconhecer por isso.

Vai ter saudades?
Sim, claro que sim. A nossa vida, nomeadamente a minha, foi feita de ajudar as outras pessoas e depois aquela adrenalina de nós sairmos de casa todos os dias a pensar assim “então e  hoje o que é que vou encontrar? Nomeadamente estes dias, o que é que vou encontrar? Será bom, será mau?” e nós acabamos por encontrar sempre coisas boas no meio disto tudo, também algumas más mas saudades, como perguntou, naturalmente que vou ter e se calhar muitas. Ainda não estou preparado para pensar no que vou fazer a seguir, mas vou ter saudades, garantidamente.

A opção da saída foi mesmo pessoal?
Foi, foi pessoal. Pessoalíssima, sem dúvida nenhuma, no início do mandato, logo no início, quando entrámos na câmara, isto tem a ver um pouco com a minha mulher. A minha mulher aposentou-se há cerca de 12 anos, era professora e ela dizia assim ” quando é que tu te aposentas também, para podemos passar algum tempo juntos?” e eu disse “deixa-me fazer este mandato” quando comecei o mandato disse logo que era o último, nunca mais tivemos conversa nenhuma e há alguns meses atrás, um ano mais ou menos, fui falar com o Pedro, o nosso presidente, e disse-lhe “olha que eu quero terminar, até porque já tínhamos falado no assunto e já te estou a dizer isso para preparares alguém que queira, não é depois na véspera dizeres” foi assim que falei com ele. Algumas coisas se vai arranjar um dia mais tarde e o arranjar será andar por aí a fazer voluntariado.

É isso que vai fazer no futuro? Voluntariado?
Eu gostava, mas não pensei ainda nisso.

Ainda não tem planos?
Neste momento não tenho planos, mas gostava de fazer qualquer coisa para ajudar os outros, acho que sim. Enquanto eu puder, acho que é importante ajudar, está no meu espírito e eu gostava de o fazer. Agora vou descansar, vou ter algum tempo para refletir e depois cá estarei. A minha terra é Almeirim, nascido, batizado, criado, sempre foi aqui e então é aqui que quero continuar agora.