Como recebi o diagnóstico, o que é?

Depois de todos os sintomas, exames, consultas, viagens entre Lisboa e Santarém, as pesquisas na Internet, na altura de 1999, bastante mais limitada que a atualidade, pedir conselhos, ler livros de saúde, tudo para tentar arranjar uma causa, uma resposta, um diagnóstico.

Como bom português, tentei, sem formação na área, abrir os relatórios, ler os resultados. Não percebia na altura, algumas palavras, que não eram mais que probabilidades, chavões como desmielinizante, degenerativa, agora familiar e comum.

Tudo isso culminou, naquele instante, quando ouvi o neurologista do hospital Egas Moniz, no seu consultório, com um ton de voz, intruspectivo parecendo medir com exatidão as palavras que me eram dirigidas.

A equipa médica determinou existir uma grande probabilidade de ter Esclerose Múltipla, os exames apontam nesse sentido.

Nestas primeiras palavras, pouco me dizia, não até à data qualquer referência a esta doença, mas, dado as expressões do médico comecei a temer, que não fosse mais que uma situação transitória, ou no máximo resolvida com uma intervenção cirúrgica.

Explicou, uma doença autoimune, que afeta o sistema nervoso, o sistema imunológico do corpo, confunde células nervosas saudáveis com “intrusas”, corrói a bainha protetora que cobre os nervos, conhecida como mielina, provocando lesões e causam interferência na comunicação entre o cérebro, medula espinhal e outras áreas do corpo, comprometendo as comunicações, processo potencialmente irreversível.

O médico apercebeu-se do meu desconhecimento sobre a questão, e prontificou-se a prestar detalhadamente os meandros desta patologia, desde os sintomas, consequências e que futuro ou o que seria de esperar.

À medida que o médico, ia falando, ia me faltando a respiração, um aperto perto do peito, um milhão de pensamentos sobre múltiplos cenários da minha vida.

No final de toda esta explicação, desvalorizou, na tentativa de me confortar após tal apresentação, propondo medicação aconselhável e com bons resultados no abrandamento da evolução da doença. Medicação esta injetável dia sim, dia não.

Deu-me os folhetos respetivos da doença e da medicação, e aconselhou a ler principalmente os aspetos relacionados com os efeitos secundários do fármaco. Deu as receitas, e o processo de levantamento do mesmo no Hospital, e a linha de apoio à medicação, afim de obter formação na administração do fármaco.

Sai da consulta, sentei-me no carro, a pensar ironicamente, qual o meu rumo, no imediato, para onde vou com esta notícia, e qual é o meu futuro….