A interiorização da doença

Depois de todas aquelas informações, sentado no carro, olho para um grupo de papéis do banco do pendura, que teria de ler, com uma mistura de sentimentos, uma enorme curiosidade, negação, revolta….

Não é o momento para isso, decidi , pôr me à estrada, é algo que me acalmava  e tranquilizava, fui para casa.

Em casa, guardei os papéis, teria primeiro de arranjar um tempo, sozinho, para me concentrar. Optei, por não falar a ninguém do sucedido, tenho primeiro de me informar, preparar-me para as perguntas, as discussões sobre este tema.

Não bastava, agora ter recebido esta notícia, ao qual nunca estamos preparados, ter de a aceitar, a revolta, as dúvidas, como estar com coragem, para, informar família e amigos mais próximos e tudo o que se segue, perguntas, discussões, conselhos.

Só queria estar, sozinho, para saber lidar como lidar com esta realidade.

Quando estava mais calmo, li os documentos, não era assim tão mau como tinha idealizado nuns possíveis cenários. A doença é potencialmente muito incapacitante, podendo ser mais ou menos agressiva, segundo o seu tipo.

Na esclerose múltipla, são referidos três tipos.

Surto-Remissão: caracteriza-se por surtos, seguidos por períodos de remissão com recuperação total ou parcial dos efeitos sentidos, podendo, depois de muitos anos a incapacidade continua praticamente inexistente ou muito reduzida.

Secundária Progressiva: começa com surtos, e à medida que o tempo passa instala-se uma perda gradual das funções, sendo as recuperações frequentemente incompletas.

Primária Progressiva: este caso não apresenta surtos, mas num período de anos vai-se instalando uma perda gradual e insidiosa das funções do corpo.

De acordo com o diagnóstico, iniciei com surtos, os choques elétricos pelo corpo, falhas de visão, tonturas, mais uma vez falando de probabilidades, e segundo a regra máxima que um português tem sempre sorte, com esta rifa que me calhou, apontava para uma grande probabilidade, de ser do tipo de Esclerose Múltipla, mais benigno Surto-Remissão.

Resolvi então ligar para a enfermeira, que viria a fazer a formação para iniciar a medicação, e obter mais informação. Os efeitos secundários eram assustadores, injeção dia sim, dia não, com sintomas gripais, até que o corpo se adaptasse e tantos outros que pensei o que é isto!?!?

Deu-me contactos de pessoas, que estiveram na mesma situação. Não melhor que ninguém para explicar, os sintomas, os resultados. Não estava preparado,.

para encarar ninguém com esta doença.

Estava com esperanças  que dentro do mau, que venha o melhor… não foi o que aconteceu…..