A companheira, início da medicação…

Na esperança, de um cenário benevolente, avancei e decidi então contar à minha família e à minha namorada, a Rita, que me acompanhou neste período conturbado de diagnóstico.

Recebi um enorme apoio da Rita, que decidiu participar ativamente em todas as delegações em torno desta doença. Fomos então ver pessoas, com esclerose múltipla, ficamos assustados…

Passamos longas, longas horas, à conversa, sobre todas as possíveis hipóteses de futuro, e sempre consideramos um futuro juntos, mas seria o nosso amor, suficientemente forte para resistir a este enorme flagelo.!!?

Um dos factos mais comuns, é o afastamento do casal nesta fase, em que não existem laços bem consolidados, digo de experiência, é uma doença tão perturbadora que altera tudo… molda-nos, afeta-nos, altera-nos, muitas vezes inconscientemente…

Recebi até agora um apoio incondicional, o meu amor, a minha companheira, a minha amiga a minha cuidadora. Sem ela, não teria conseguido suportar, pois esta doença não se ultrapassa, luta-se diariamente para estarmos bem, por nós e pelos que nos rodeiam.

Embora, diga ela muitas vezes, devo ser doida, pois tem pessoas que insinuam “já sabias que ele tinha esta doença antes de casar, e não fizeste nada… continuaste com ele…”

Existe, também a necessidade de afastar as pessoas que amamos, para que elas não sofram, com um futuro nada otimista…

Premanecemos juntos, decidimos juntos, fazemos uma equipa juntos, estudavamos juntos.

Na altura, na mesma escola na ESAS, Escola Superior Agrária de Santarém, no mesmo curso, na mesma Turma, na mesma residência, convivendo com os mesmos amigos e colegas, fazíamos todas as refeições juntos, e chateavamo-nos quando não estavamos juntos…

Decidimos, então iniciar a medicação, fizemos a formação juntos, injetável dia sim dia não.

Foi muito, difícil, para reverter os efeitos gripais violentos, tinha que tomar analgésicos, era impossível de suportar sem eles, só podia me injetar antes de ir para a cama. No dia a seguir, tinha a sensação que tinha estado a jogar rugby, e tinha sido alvo de placagem de um grupo de pelo menos 10 marmanjos com 120 kg, que me acertaram em todas as partes do corpo.

Essa passou a ser a minha rotina, ao longo dos anos foram atenuando ou habituando…

Outra parte, difícil de gerir, contar aos amigos, evitei por algum tempo, mas convencido pela minha cara metade, teve de ser…

Contei apenas aos mais próximos, companheiros do dia a dia, que estranhavam, o porquê de eu as 7 da manhã de inverno, muitas vezes, com temperaturas perto dos zero, andar de tshirt na rua…