Envelhecimento ativo

O envelhecimento ativo está na ordem do dia, na hora nobre dos canais televisivos e na agenda dos políticos e há uma razão muito forte para isso. Em 2050, três em cada dez residentes em Portugal terão mais de 65 anos. Não obstante o facto deste número ser uma conquista da humanidade, o problema coloca-se ao nível da sustentabilidade da Segurança Social, das respostas sociais e nas alterações no mercado de trabalho.

Quase sempre que se debatem temas relacionados com o envelhecimento, é esta vertente negativa que mais é realçada: A sustentabilidade, os cuidados em ambulatório, os lares, ou seja, as dificuldades com que os seniores se deparam, sempre numa perspetiva de minimizar a situação débil em que esta faixa da população geralmente se encontra. O projeto da RUTIS e das Universidades Seniores fazem parte das poucas exceções em que o trabalho relacionado com o envelhecimento se foca, quer na prevenção e num envelhecimento ativo. Por este motivo fomos convidados a participar na Conferência Internacional da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa, que se realizou no centro de Congressos de Lisboa, nos passados dias 20, 21 e 22 e que reuniu ministros e técnicos de 50 países. Ver conclusões em www.rutis.pt

Esta Conferência teve como ponto de partida o Plano de Ação Internacional de Madrid para o Envelhecimento, aprovado em 2002 e culminou com um documento aprovado pelos países membros a que chamou Carta de Lisboa. Durante estes dias, os conferencistas de todos os países da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa discutiram temas como a Sensibilização da Sociedade para o potencial dos idosos; o reconhecimento das suas competências e mais-valias para a sociedade de uma forma geral e para as atividades económicas de um modo particular; e ainda políticas e medidas para que o envelhecimento possa ser vivido de forma digna, com menos recurso ao assistencialismo.

O Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, Vieira da Silva, presidiu a esta conferência, que terminou com os Ministros de todos os países presentes a aprovar a Carta que estabelece as prioridades a ter em conta nos próximos cinco anos. No fundo, os países comprometeram-se a promover esquemas flexíveis de reforma que lhes permitam permanecer mais tempo no mercado de trabalho, se for essa a sua vontade. Comprometeram-se ainda a desenvolver estratégias que valorizem a experiência das pessoas idosas para a sociedade. Ora, esta valorização dos seniores está na base das universidades seniores e do projeto RUTIS, que nasceu em Almeirim e por cá continua a crescer, apoiado por parceiros particulares e institucionais. É caso para dizer que a nossa cidade já implementou as recomendações da carta de Lisboa ainda antes desta existir e que Almeirim está na vanguarda do Envelhecimento Ativo em Portugal!

 

Luís Jacob – Professor