Pampilho ao Alto XXXVIII

Propositadamente não enviei o texto “Pampilho ao Alto”, que deveria sair na publicação de “o Almeirinense” de 15/09/2017. Presumi, e não me enganei, que a Redação deveria estar assoberbada com textos e comentários sobre as eleições autárquicas, bem mais interessantes e úteis que o texto cómico que tinha escrito.

Por isso, quando este novo texto chegar às vossas mãos, certamente já estarão terminadas as eleições de 01/10/2017, e no Almeirinense estarão publicados os resultados das mencionadas eleições autárquicas. No momento em que escrevo, auguro que tudo corra como se espera, ou seja, que a campanha decorra num clima de civismo e respeito entre candidatos e respetivas listas. Na verdade, os candidatos não são inimigos políticos nem as eleições uma batalha. Todos perseguem o mesmo objetivo, “a boa governança das nossas autarquias”, muito embora tenham programas e ideias diferentes para o conseguir. Pena é, que alguns eleitores não entendam o esforço das candidaturas e no dia da votação não exerçam o direito/dever de ir votar, dando tantas vezes a vitória à abstenção.

Pensam alguns (pelo que oiço) que os candidatos querem é tacho, e por isso nem sequer vão votar. Ora, como sabemos, os únicos cargos que são remunerados é o de Presidente da Câmara, alguns Vereadores e, nalguns casos, o de Presidente da Junta de Freguesia. Todos os outros são exercidos de forma gratuita. Assim, quem não vota, indirectamente vota em quem não quer. O voto em branco é igualmente uma forma de votar, mostrando aos candidatos que nenhuma das propostas apresentadas merece a confiança do eleitor. Uma palavra aos vencedores e vencidos: aos primeiros, que exerçam o mandato no respeito pelas promessas feitas. Aos segundos, se na oposição, a efetivem com elevação, respeito e responsabilidade pelos votos que lhes foram confiados. Afinal, todos procuram a melhoria das condições de vida dos eleitores, e juntos certamente melhor o conseguirão. Depois das eleições não são jamais adversários políticos mas sim autarcas com mandato para exercer a governação; uns governando, e outros procurando que essa governação se faça sem desvios às regras democráticas, tolerando o que deve ser tolerado e impondo o que deve ser imposto, mas sempre no superior interesse dos cidadãos. Afinal, o poder autárquico é acima de tudo um poder de proximidade.

Fiquem bem, de Pampilho ao Alto.

Ernestino Alves – Advogado