Amigos…

Durante algum tempo, evitei expor este meu diagnóstico, até que, fui convencido, que não poderia desvalorizar o apoio que eles me podiam dar. A doença era pouco conhecida, e facilmente confundida com outras patologias, como muitas vezes, questionado, é dos ossos, é transmissível, as pessoas tem medo e discriminam, o que não conhecem.

São inúmeros os comentários, as observações em relação a este tema, que tenho sido sujeito nestes anos, desde o comum desconhecido, a familiares, como profissionais de saúde. Histórias de um passado conturbado que faço questão de contar em ton irónico e cómico, muitas vezes, sem querer, se torna desconfortável para amigos, como, assuntos graves, que eu muitas vezes desvalorizo. Para eles, perdão.

Ser amigo de uma pessoa com esclerose múltipla, não é fácil. Como me disse o meu médico para à minha mulher, agora tem de lidar com ele, o seu feitio e o feitio da EM.

Não posso imaginar, o que sentiram, ao contar o que tinha, mas, tentaram desvalorizar, e muitas vezes brincar com a situação, nas nossas saídas noturnas juvenis, questinavam, “hoje é dia ou dia não” diziam, eles, para perceber, o dia de tomar a injeção, seria uma noite mais comedida, e mais curta.

Só eles, podem dizer como receberam a notícia, na realidade nunca perguntei, evitei sempre todo o tipo de conversas que se pudesse tornar mais introspetivas.

Jantares eram preferencialmente agendados, para os dias não, pois a rotina, era tentar deitar cedo após a injeção, para que de manhã não permanecem os sintomas.

Com esta doença, tentei adaptar algumas das minhas rotinas, não querendo ficar refém, mas, tendo noção que exageros poderiam agravar a minha condição.

Depois de contar aos amigos e familiares mais próximos, da doença, optei por ocultar, de todas as outras, não tinha sintomas visíveis, sendo assim, não existindo perguntas nem explicações, isto durante o tempo de estudante.

Quando perguntavam a razão de estar a coxear, logo me desculpava com algo.

Foi fácil ocultar dos meus colegas de adolescência, pois meses antes do diagnóstico, os meus pais tinham se mudado de Lisboa para Alenquer, e eu a maior parte do tempo em Santarém.

Até esta campanha ter iniciado, alguns dos meus colegas de adolescência não tinham conhecimento.

Mas entre as pessoas que me relacionava diariamente, viria adotar uma postura diferente…