A família Charrua

Em 1999, entrei para ensino superior na Escola Superior Agrária de Santarém, no curso de Engenharia da Produção Hortofruticola, curso escolhido no decorrer do ensino profissional na Escola Profissional Agrícola D. Dinis, na Paiã.

A Escola Profissional D. Dinis, de referência na área, onde tirei o curso técnico profissional de gestão agrícola, ao qual tive o privilégio de frequentar, com mérito de melhor aluno. Casa que me acolheu durante 3 anos, e se tornou parte integrante da minha vida, ao participar nas mais antigas tradições agrícolas.

Para o ensino superior, gostaria de continuar numa instituição com os mesmos valores, e aconselhado pelos meus professores, antigos alunos da Agrária de Santarém, mencionavam aspetos positivos do seu ensino prático, devidamente enquadrado na realidade agrícola. Por vezes mencionando os valores de ser e pertencer à família “charrua”.

Na altura pouco me dizia, mas era entusiasmante.

Quando entrei para a ESAS, fui acolhido por todos, eu e todos os outros caloiros, receosos e apreensivos pelos comentários públicos.

Ao longo do tempo, constatei o que muitos outros alunos, já afirmavam.

Entrei, para uma família, que os laços são criados, não de sangue, mas de experiências, convívio e partilhas, acolhemos nos nossos corações valores que se perpetuam, de geração em geração.

A área agrícola e as suas tradições têm uma presença muito grande na personalidade, quem se dedica, abraça, ama, é sua filosofia, só assim é possível trabalhar como trabalhamos, muitas vezes por amor à terra…

Mas, recebemos muito, memórias que partilhadas se tornam em experiências únicas, difícil de descrever, e já tentado por inúmeros poetas, fadista e outros.

Quem, não se lembra de “ferrar ao trabalho” ao nascer do sol, para podar as “cepas”, usar as “vides” para fazer a fogueira, para grelhar, umas sardinhas ou entremeadas para comer com um bocado de pão, e o vinho da campanha,…

São as nossas origens, de onde viemos, setor primário, fundamental a sobrevivência do ser humano, que muitos se esquecem, mas, sempre presente quando têm fome.

O espirito da família “charrua” tem sobre si todo o sentimentalismo agrícola e scalabitano, fraterno de todos aqueles que estudaram na Agrária, somos companheiros.

Também é desta força que nos une, que consigo levar a cabo as minhas conquistas…

No dia 25 de novembro de 2017, tive mais uma vez, a confirmação,…

Não vou certamente conseguir transmitir, o que senti, e o que é ser “charrua”,…

“Não somos gente ordinária, somos pessoas de bem, estudamos na Escola Agrária na cidade de Santarém,…”

Ao alto, ao alto, charrua

Muito obrigado família charrua