Andebol: Jogadoras de Almeirim atingem topo

Adriana Correa e Joana Teixeira são jogadoras de Andebol e jogam em Alcanena depois da modalidade estar a viver constantes sobressaltos no concelho. As duas jogadoras conseguiram também recentemente integrar os trabalhos da seleção nacional. Em entrevista, vamos conhecê-las melhor.

Adriana, como é que surgiu o gosto pelo andebol?
A primeira vez que tive contacto com a modalidade do andebol foi a minha mãe que me levou a experimentar para ver se eu gostava, tinha 6 anos.
Fui comparecendo aos treinos, aprendendo e tendo alguma competição no escalão de minis, aprendi a gostar.

Como tem sido o seu percurso?
Como disse, comecei com seis anos de idade na Associação 20Kms de Almeirim, e por lá me mantive até chegar ao escalão de infantis, pois nessa altura fui jogar para os caixeiros em Santarém, porque o Almeirim não tinha o meu escalão. Nos caixeiros, mantive-me até terminarem com o andebol feminino em Santarém, 3 anos, e daí o salto para o JAC em Alcanena, onde estou presentemente e já contabiliza 5 anos.

Chegou a experimentar outras modalidades?
Bem, fiz natação dos 3 anos até aos 10, sensivelmente, depois tornou-se incompatível, pratiquei ténis através do desporto escolar e fui escuteira até então, mas como as ausências ao grupo escutista eram imensas, este ano decidi fazer uma pausa.

Porque se fixou nesta?
Fui tendo competições, desafios e amizades, claro, e gosto pela modalidade, inclusive este verão pela primeira vez também participei numa equipe de andebol de praia, e adorei.

Alguém disse que tinha mais jeito para andebol?
A minha grande impulsionadora foi sempre a minha mãe, que sempre acompanhou o meu percurso e neste momento faz o mesmo com a minha irmã, que, por acréscimo, também se dedicou ao andebol. Jeito! Não sei se daria melhor noutro desporto, mas foi a este que me dediquei.

Quais foram os momentos mais marcantes até ao momento?
Momentos marcantes, além do convívio, da grande família que somos, posso dizer que foi um grande momento quando, na época 2010/2011, fui nomeada pela Associação 20 Kms de Almeirim a Atleta do ano ( escalão minis), e em 2013 já jogando nos caixeiros, quando fui nomeada a melhor jogadora do torneio no meu escalão (infantis)

Qual o treinador que também mais a marcou?
Todos me marcaram de uma forma ou de outra, mas com o que mais me identifiquei até então e me deu muita força, autoestima foi o Nuno (JAC), o pouco tempo que trabalhei com ele foi muito gratificante, no entanto, ao longo destes anos, no JAC, o que mais me fez crescer como atleta foi o Marco Santos a quem devo muito respeito e agradecimento por me treinar.

Recentemente, integrou um treino da seleção nacional. O que representou para si essa chamada?
Não quero dar muita importância ao facto de integrar o centro de treinos da FPA zona centro, não quero criar espectativas, vou e faço o meu melhor e vamos aguardar pelos resultados, mas já valeu pela experiência e o aprendizado.

Tem o sonho de ser internacional por Portugal?
Quem não tem, qualquer jogadora ambiciona representar o próprio país além fronteiras, fazer parte dessa grandiosidade é um grande merecimento.

Gostava de estar a jogar em Almeirim?
Comecei em Almeirim, é a minha terra Natal, mas neste momento não me identifico com o grupo, além do mais, o Almeirim só tem os escalões de formação. Na verdade, estudo fora de Almeirim e jogo fora de Almeirim, e acabo por ter poucas amizades em Almeirim. As minhas amizades acabam por estar centradas em Alcanena. No entanto, quem sabe, posso, sim, vir a jogar em Almeirim.

Porque não está?
Como já expliquei, saí de Almeirim porque na altura não tinham o meu escalão e daí em diante, as coisas proporcionaram-se para fazer parte da equipe do JAC em Alcanena.

Que sacrifícios faz a mais por estar a jogar mais longe?
Alguns, saio todos dos dias de casa às 8.30h e chego a Almeirim por volta das 22,30h. Como vê, não tenho qualquer vida em Almeirim, aos fins de semana tenho jogos, raramente convivo ou faço parte de alguma atividade em Almeirim. Por vezes venho cansada dos treinos e ainda tenho que estudar e realizar trabalhos.

E a escola onde entra nisto tudo?
A escola vou levando, tenho consciência que poderia dedicar-me mais se tivesse mais tempo disponível, mas vou estudando, cumprindo com as minhas obrigações, até então não perdi um ano escolar e em simultâneo vou praticando andebol. Esta é a minha vida e conto sempre com a presença dos meus pais, pois sem eles nada disto seria possível. Porque eu, para jogar em Alcanena, a minha mãe tem que nos levar e aguardar que acabe o treino para nos trazer, porque somos 4 atletas neste momento, contando com a minha irmã, que por sinal tem outros horários de treino. Então, a minha mãe vai-se revezando com os pais da Carina Martins e da Joana Teixeira.

O que quer ser quando for grande?
Pois, já quis várias coisas e continuo na indecisão, mas estou na área de ciências, e neste momento estou inclinada para radioterapia e imagem médica. Mas tudo pode mudar. Vamos ver.

Raízes familiares ajudam a escolher modalidade

Joana, como é que surgiu o gosto pelo andebol?
A minha tia e o meu tio eram treinadores de andebol, e eu ia ver os treinos e um dia experimentei e gostei.

Como tem sido o seu percurso?
Joguei três anos nos 20 kms de Almeirim e estou há dois anos a jogar no JAC Alcanena.

Porque se fixou nesta modalidade?
Gosto do espírito de equipa dentro e fora de campo, sinto que há uma entreajuda entre todas nós e por isso me identifiquei bastante com o andebol.

Alguém disse que tinha mais jeito para andebol?
Sim, desde que comecei a jogar todos me apoiaram e me incentivaram para continuar e diziam também que iria ter futuro nesta modalidade.

Quais foram os momentos mais marcantes até ao momento?
Os momentos mais marcantes foram ir a torneios, a uma fase final e participar no andebol praia.

Qual o treinador que também mais a marcou?
Não tenho preferência, todos eles foram importantes para a minha formação.

Recentemente integrou um treino da seleção nacional. O que representou para si essa chamada?
Essa chamada representou para mim o reconhecimento de todo o meu esforço e empenho no andebol.

Tem o sonho de ser internacional por Portugal?
É óbvio que sim, seria o sonho de qualquer atleta representar o seu país.

Gostava de estar a jogar em Almeirim?
Neste momento sinto-me bem onde estou e irei continuar.

Porque não está a jogar aqui?
Não estou a jogar aqui porque queria atingir outros objetivos que aqui não seriam possíveis.

Que sacrifícios faz a mais por estar a jogar mais longe?
O sacrifício é elevado, mas quando se gosta daquilo que se faz não existe sacrifício.

E a escola onde entra nisto tudo?
A escola é o mais importante, mas até agora sempre consegui conciliar as duas coisas.

O que quer ser quando for grande?
Neste momento estou a tirar um curso técnico de análises laboratoriais e gostava de prosseguir estudos nesta área e ao mesmo tempo continuar a jogar andebol.