Guitarra D’alma justifica os gastos

Salas cheias. Foi assim que terminou o Festival Guitarra D’Alma deixando clara que as mudanças em 2017 resultaram. O Festival Guitarra D’Alma, este ano teve um novo formato, passou a ter lugar em três fins-de-semana, de 10 a 25 de novembro.

O maior festival de Guitarra Portuguesa do País começou, sexta-feira, dia 10, na Igreja do Divino Espirito Santo com a apresentação do livro “Ao Sabor da Boca”, de Custódio Castelo. Sábado, dia 11 de novembro pôde assistir no Cine Teatro de Almeirim a um concerto com António Chaínho.

No segundo fim-de-semana, dia 17 de novembro realizou-se uma homenagem aos violas de Custódio Castelo no Salão Nobre da Câmara Municipal. Sábado, dia 18, pôde contar com um Ensemble de Guitarras da ESART no Centro Cultural de Fazendas de Almeirim.

Nos últimos dias do festival, dia 24 de novembro, ocorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal “O Fado e o Vinho” com Guilherme Frazão e dia 25 de novembro, no Cineteatro de Almeirim decorreu o Concerto de encerramento do Festival com Custódio Castelo.

Pedro Ribeiro, disse que o balanço “é muito positivo. O formato mudou e agora temos mais fins de semana e acabamos por ter mais eventos que as pessoas gostam. Tivemos grandes espetáculos e queremos também ir criando o hábito nas pessoas”. Para o Presidente da Câmara Municipal de Almeirim o Festival de 2018 já está a ser pensado e “queremos no próximo ano ter o apoio de uma instituição nacional para divulgar a iniciativa ao nível do país”. Quanto aos 18 mil euros de custo, Pedro Ribeiro diz que se justifica e “há quem gaste 30 ou 40 mil euros em duas horas de concerto e há quem gaste menos de metade por um festival de vários dias e com esta qualidade”.

O espetáculo O Fado e o Vinho com Guilherme Frazão chegou mesmo a esgotar, as cadeiras não chegaram, havia público de pé ao fundo da sala… e ninguém regateou aplausos a Guilherme Frazão que ainda dividiu “o palco” com João Chora e Custódio Castelo. Para lá das muitas músicas cantadas, Custódio Castelo contou uma história inédita: “Nós tocamos noites inteiras. Nós começávamos a cantar e tocar as 21h30 e terminávamos as 4h30 quando já não tínhamos público. Num desses dias, nós os dois fomos para a Ponte da Raposa tocar. Estávamos junto aos primeiros pilares. Um de um lado e o outro do outro lado”, começou por descrever.

Custódio adianta depois que “aquele espaço tem uma reverberação natural e um eco que mostrava a voz rouxinol do Guilherme”. Mas o melhor estava ainda por contar. O músico e compositor disse ainda que “pode parecer engraçado, mas quando o Guilherme cantava as rãs paravam de coaxar, só voltando a coaxar quando ele parava. Nós dizíamos que eram os aplausos”, contou entre sorrisos.

Por entre esta história que nunca tinha sido contada em público, Custódio fez ainda muitos elogios à voz e timbre da voz de Guilherme que não deixou o mestre sem resposta: “O Custódio é o meu irmão, o meu ídolo”.