Da esquerda para a direita: Centro de Saúde

Almeirim tem vivido uma situação crítica no que diz respeito aos cuidados de saúde nos últimos tempos. Tanto que motivou, em outubro deste ano, uma pergunta do PEV ao Ministério da Saúde (MS), cuja resposta foi esclarecedora em alguns pontos.

1. Médicos de Família: Segundo o MS, estão afetos ao Centro de Saúde de Almeirim oito médicos, para um universo de 22 142 utentes, o que dá uma média de 2 768 utentes/ médico, o que se sabe ser impraticável. Assim, existem mais de 7500 utentes sem médico de família atribuído. Desta forma, abriu o procedimento para colocação de dois médicos a título definitivo em Almeirim, ao qual se juntará uma outra vaga aberta por mobilidade de serviço. Caso estas três vagas sejam preenchidas (o que nem sempre acontece), existirão ainda 2000 utentes sem clínico atribuído, na melhor das hipóteses.

2. Administrativos: Existem, neste momento, nos quadros do Centro de Saúde apenas oito administrativos. Se no caso dos médicos podemos compreender que é difícil gerir a questão, pois existem poucos clínicos desta especialidade, o mesmo não se poderá dizer dos administrativos. A sua falta faz-se sentir até ao ponto do utente ligar para o Centro de Saúde e ninguém atender, pela simples razão que a pessoa que está a atender o telefone tem uma fila de pessoas para atender à sua frente, e não consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Este seria um problema bem mais fácil de resolver, assim houvesse vontade.

3. Extensões de saúde: Almeirim tem, neste momento, quatro extensões de saúde em funcionamento (Fazendas de Almeirim, Benfica do Ribatejo, Paço dos Negros e Raposa). Em Paço dos Negros, a extensão esteve fechada durante cerca de quatro meses, por motivo de férias de pessoal, ficando uma população de cerca de 1000 utentes sem médico de família, que, apesar de estar atribuído, não esteve presente e não foi feita a sua substituição.
Na Raposa, a extensão de saúde está sem telefone, pois, ao que parece, quando foi fechada ninguém deu baixa da assinatura, gerando assim uma grande dívida. Um desleixo desnecessário.

A extensão de saúde de Marianos é uma outra situação caricata, e que se não estivéssemos a falar de saúde, teria a sua graça. No início do verão, foram dadas por concluídas as obras de remodelação desta extensão, para que em setembro/ outubro fosse aqui colocado um médico de 15 em 15 dias. Bem, outubro já passou, e na resposta do MS ao PEV, foi dito que “não é ainda possível abrir a extensão de saúde em Marianos, pois além da necessidade de recursos humanos para poder afetar àquela localidade (com cerca de 300 habitantes), (…), será ainda necessária a instalação de comunicações (voz/dados) naquela zona e alguns trabalhos no edifício (colocação de portas e janelas, entre outros)”. Muito se poderia dizer sobre isto, mas acho que será suficiente dizer que alguém fez um número político para caçar votos para as autárquicas.

Samuel Rodrigues Tomé – CDU Almeirim / PEV