Da esquerda para a direita: Canil-Gatil

Desde alguns anos a esta parte que temos assistido ao crescente aparecimento de animais, nomeadamente cães, vagueando pelas ruas do nosso concelho, formando autênticas alcateias. O problema não é novo. Comecei a abordar o tema enquanto vereador, em 2012, e para além de mim, muitas outras vozes têm apelado para que se cuide da situação, mas até à data, nada tem sido feito. Pontualmente a situação vai melhorando, os animais desaparecem (espero que cumprindo os requisitos legais) mas logo aparecem outros.

A nível nacional, esta temática tem sido uma preocupação, tendo-se registado em 2014 o maior número de animais abandonados (32.000), ou seja, muito acima dos 10.000 considerados como a média nacional/ano. Vários relatos apontam que desde 2014 a situação tem vindo a melhorar, dada a maior preocupação das populações, governo e autarquias sobre esta matéria.

No que diz respeito ao nosso Concelho, considero que 2017 tem sido o pior ano. Não tenho dados estatísticos que o comprovem, mas tenho visionado muitos animais nas ruas e os relatos têm-se ecoado por todo o concelho, referindo-se sempre a verdadeiras alcateias. Foi assim nas Fazendas, na Tapada e é assim que assistimos nas rotundas da cidade de Almeirim.

Nos passeios, até para os mais desatentos é visível a quantidade de dejetos que nos obrigam a fazer gincanas até chegar a casa. Não é preciso andar muito para ver este festival, basta vir da CM até à biblioteca e percorrer as várias ruas até às escolas localizadas na zona.

Para além dum problema social, é também uma questão de saúde pública, pois trata-se de inúmeros animais que vagueiam pelas ruas sem vacinação, muitas vezes debilitados, doentes ou feridos. Está provado que estes animais são portadores de doenças transmissíveis ao Homem e causadores de doenças nas crianças. Segundo estudos/relatos de vários especialistas (ex. Marques Valido ou Luis Carvalho) algumas doenças infantis estão relacionadas com vírus e bactérias vindos de dejetos caninos localizados na via pública.

Mas quem é responsável por resolver esta questão? A legislação vigente atribui competências às Câmaras Municipais na área do bem-estar animal, controlo de zoonoses e alojamento dos animais. Ou seja, está devidamente previsto na lei que é responsabilidade da CM a recolha dos animais abandonados/perdidos e o seu alojamento.

Neste sentido, considero ser de caráter urgente uma solução local para este problema. Há anos que ouço que um dia virá uma solução intermunicipal. Neste campo não considero a resposta adequada. Comprova-se, porque nunca veio e depende também da vontade de terceiros. Um problema no nosso Concelho tem que ter uma resolução a nível concelhio. Devemos sempre privilegiar a proximidade/conhecimento do problema com a capacidade de resposta.
Este texto tem por objetivo apelar à sensibilidade sobre o tema. Apelar para a criação de um tão desejado centro de recolha animal – canil, gatil – que providencie condições para acolher e tratar estes animais, dinamizando iniciativas para a sua adoção.

 

Nuno Fazenda – Inovar Almeirim