Militar da GNR escreve sobre O Amor

INVULGAR Eduardo Lopes é natural de Cabo Verde e aos quatro anos fixou-se em Peniche. No próximo dia 20 de fevereiro faz 37 anos e recentemente conseguiu concretizar um sonho, o de ser escritor.

Este foi o primeiro livro que publicou, como é que surgiu a ideia de juntar os textos e escrever um livro?
Foi através de amigos e camaradas de serviço que ao terem conhecimento do meu gosto pela escrita e da minha página questionaram-me o porquê de eu não ter coragem de escrever um livro. Aliás, criei a minha página nas redes sociais, depois de ver as páginas no Facebook de outros militares da guarda nacional republicana, (que trabalharam comigo no Posto Territorial de Lourinhã) , e ao ver os textos que iam publicando diariamente, disse, porque não?
Uma vez que tinha alguns excertos já elaborados, decidi começar a publicar esses textos, fui ganhando o gosto, e tive a coragem necessária para adaptar-me à situação e à realidade que se apresentava.
Foi muito importante o apoio dado pela minha família, companheira/namorada, amigos e seguidores da minha página para que chegasse onde chegou, o meu primeiro livro “Passagens ao longo da vida”.

Como foi a recetividade ao livro?
Foi muito boa, posso dizer que o feedback tem sido bastante positivo, é natural que possa não ser o livro que as pessoas estejam habituadas a ler, requer que estejam muito atentas a todos os pormenores.

Há muito amor ali?
Sim, há muita procura do verdadeiro amor, é o que existe propriamente naquele livro. Há uma pessoa que supera muitos obstáculos na vida até chegar ao que toda a gente sonha, o verdadeiro amor.

O que poderão os leitores encontrar ao folhear as primeiras páginas?
Ao folhear as primeiras páginas, vão entender que, passando para aquilo que é a minha vida profissional e aquilo que vejo de todos os que pertencem à GNR, as pessoas têm um pouco a imagem que não temos coração, que não temos sentimentos.
Curiosamente, numa das páginas mencionei isso, (precisamente na página 75 do meu livro, onde, num dia, em conversa com uma bombeira, que não deixa de ser um elemento importante da sociedade, na proteção e segurança das pessoas, a propósito de ter verificado na minha página textos alusivos ao amor, disse-me:
«- Não sabia que os guardas (GNR) tinham coração!
Eu achei curiosa esta afirmação, da Cidália Fonseca, dos bombeiros voluntários da Lourinhã, à qual respondi peremtoriamente o seguinte:
– O amor não tem farda. E estou certo.»
Foram estas as minhas palavras, e quis mencionar isso porque, naturalmente, quando as pessoas forem abordar o meu livro, vão pensar:
– Um militar da GNR a escrever coisas que nada têm a ver com o serviço, tem a ver com o sentimento.
Nós, além de sermos militares da GNR, temos uma vida e sentimentos, é isso que quero que encontrem e vão encontrar de certeza no meu livro e no próximo livro também.

Depois deste primeiro livro, já pensa num próximo?
Já estou a escrever o meu segundo livro, vou a meio; o meu primeiro tem cerca de 80 páginas, o segundo terá menos, pelo menos 200 páginas.

Quais são os seus objetivos aqui?
Os meus objetivos são principalmente colaborar com o meu comandante de posto, sob as diretrizes do comando de destacamento, e por sua vez, claro, do comando de unidade.
Ao estabelecer-se essa sinergia entre a hierarquia, dando cumprimento aos objetivos pré-determinados , em consonância com as valências que temos ao dispor na nossa instituição, vulgo Guarda Nacional Republicana, a população será muito bem servida.
É isso que procuro, servir e proteger o cidadão, conforme o nosso lema “ pela lei e pela grei”.

Tem planos para sair em 2018?
Não, eu não posso afirmar uma data correta, porque para se escrever um livro penso que temos de ter calma, de ter tempo, verificar mesmo tudo. Porque para se escrever, hoje em dia temos de ter apoio, no primeiro não tive.

Apoio financeiro?
Apoio financeiro, é uma das lacunas que eu penso que existe, uma pessoa por mais que se queira integrar no mundo da escrita, se não tiver um bom suporte familiar que nos possa ajudar financeiramente, não consegue singrar neste mundo, não para viver da escrita, mas para fazer chegar a nossa palavra a alguém.

Começo
O vício começou na adolescência

“O gosto pela escrita tem-me acompanhado ao longo dos tempos, mas, aos 14 ou 15 anos, afogava as mágoas, os dissabores da adolescência, desgostos de amor… Todo o homem sofre! Foi nessa perspetiva que fui ganhando um gosto pelas palavras e pela leitura, indescritível. Hoje, cada vez mais, das coisas que mais gosto de fazer é escrever e ler. Também me dediquei mais à escrita, devido ao problema de saúde que tive: foi-me diagnosticado duas hérnias discais. Então, como já não poderia competir no atletismo como antes, adoptei como hobby a escrita, e posso contar um segredo: é viciante. A partir do momento em que nós temos um vício, mas um vício bom, (tomara toda a gente ter o vício da escrita e da leitura), não há possibilidade de fugir”.

Adaptação
Segundo Comandante em “casa”

“A adaptação está a ser muito boa, os objetivos que tracei neste momento, estão a ser cumpridos. Aos poucos estou a inteirar-me das virtudes e necessidades da população. Penso que, enquanto militar, será uma mais-valia a minha passagem nesta localidade. Já conhecia Almeirim por ter vindo à famosa corrida dos 20 Kms de Almeirim, no ano 2000.
A Sopa da Pedra também conheci quando na altura vim aqui correr, foi uma das iguarias que tive o prazer de provar, com os meus colegas de treino, foi uma época muito engraçada da minha vida, com 19 anitos, quando aqui passei. Sobre as pessoas, eu tenho notado, é simpatia, acima de tudo, quando avistam um militar da GNR, abordam-no e falam um bocadinho de tudo”.

Militar que passou seis meses no Afeganistão

“Nós Comandos posso dizer – sofremos de amor patológico racional) temos várias frases que nos caracterizam, uma delas que não me esqueço foi numa instrução por parte de um instrutor que a mencionava e tínhamos de repetir:
– O que é que eu sou?
Respondíamos , duro, flexível e amoroso, sobretudo amoroso, e muitas vezes brinco com essa situação. Nós Comandos, temos um lema – A sorte protege os audazes , e um grito de guerra – Mama Sumae que quer dizer : aqui estamos prontos para o sacrifício. No Centro de Tropas Comandos (atual Regimento de Comandos) foi onde iniciei a minha vida militar, foi das melhores coisas que fiz na vida, onde aprendi muitos valores que ponho em prática na GNR, onde aliada aos seus valores, é um complemento ainda maior para a minha vida enquanto militar.

Posso dizer que nessas passagens tive a hipótese de viajar, tendo estado destacado no Afeganistão em 2006, as situações que vivi com os meus camaradas, o sentimento de pertença, aliás , é o sentimento que o nosso Comandante do Comando Territorial de Santarém, pretende que esteja naturalmente instituído por todos os militares .

É isso que tento passar aos meus subordinados e as minhas ações são em prol dos ideais do meu Comandante de Posto. Não posso deixar de falar dele, o nosso 1º Sargento Pereira tem sido uma pessoa muito importante para mim, porque à minha chegada a esta bela cidade colocou-me à vontade, expondo o historial social, cultural da população, não deixando de apresentar-me todas as entidades locais e é esse sentimento de querer ajudar os outros, que eu tento diariamente atingir, sendo o principal objetivo. A vida militar satisfaz-me a todos os níveis nesse sentido”.

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