Tenho, logo existo

Terminada mais uma quadra Natalícia, julgo ser o momento apropriado para refletirmos um pouco sobre a tendência consumista da sociedade atual e o efeito que a mesma provoca em todos nós e, sobretudo, nas nossas crianças.

Ainda o mês de dezembro vem longe e já somos bombardeados com sugestivos anúncios publicitários que estimulam o nosso desejo e sentimento de posse. E sem alternativa,surge em nós a condição imperiosa de que, na falta dos mesmos, não seremos felizes. Sem a satisfação dos nossos desejos materiais parece-nos impossível viver um Natal alegre e feliz. Sem termos os nossos desejados presentes, iniciamos um caminho de frustração, infelicidade e tristeza.

Torna-se imperioso “ter”. Não só aquilo de que necessitamos, mas também aquilo de que nos fazem sentir falta. O Pai Natal passou a ser o parente mais desejado e respeitado em todas as festas e ocasiões. Não pela sua qualidade de ancião, mas sim pela sua generosidade e condição de presenteiro.
Natal é família, amor, união, solidariedade e partilha. As nossas crianças são formadas imitando o comportamento dos seus progenitores.

Não podemos correr o risco de criar crianças infelizes e fomentar o sentimento de tristeza.
Não podemos esquecer a importância da partilha em detrimento da posse.
É urgente ensinar que todos podemos dar sem necessariamente ter de comprar.
É urgente ensinar o valor do amor e da união familiar.
O presente mais valioso é aquele que está dentro de nós e é comprado na loja do nosso coração.
“Amo e sou amado, logo existo”.

“Natal é família, amor, união, solidariedade e partilha. As nossas crianças são formadas imitando o comportamento dos seus progenitores.”

Maria Clara Pó – CPCJ