Da esquerda para a direita: Identidade(s) II

Há um mês convidei aqui para se visitar a exposição do Dia dos Moinhos Abertos 2018 no Moinho do Fidalgo sobre os soldados que estiveram na I Guerra Mundial. Foi um sucesso, na medida em que o encontro das pessoas proporcionou a conversas sobre o que se recordavam daquela pessoa e deste facto. Esta é uma das formas de criar identidade.

O Património atua como um veículo de construção das identidades (não é à toa que os escalabitanos se revêm na Torre das Cabaças ou na rosácea da Igreja da Graça e os alpiarcenses na Casa dos Patudos). Este é um dos principais motivos pelo qual deve ser tratado e conservado, ganhando cada vez mais força quanto mais acelerado e tecnológico se torna o nosso dia-a-dia. É aqui que ancora o sentimento de pertença, o “de onde vimos” e onde projetamos o “para onde ir”. Contudo, há ainda um outro aspeto sobre a construção da identidade que devemos ter presente: a ignorância de quem a não quer ou não deixa construir. Ao falarmos dos três grandes monumentos de Almeirim (os paços reais de Almeirim e da Ribeira de Muge, e o Convento da Serra), sabemos que foram sendo desmantelados porque as questões da memória e da identidade não se colocavam como hoje, estando o urbanismo (no caso do Paço de Almeirim) e a exploração agrícola (nos outros dois) como argumentos para que aquelas estruturas desaparecessem.

Hoje em dia, isto não devia ocorrer, ainda que vejamos que a maioria que vem governando o município se esforce por ignorar o que resta destes locais. Na verdade, foi por intervenção da CDU que ficou visível uma estrutura do Paço de Almeirim, junto ao mercado, mas que tem sido negligenciada nas suas necessidades de conservação. Já o Paço Real da Ribeira de Muge está de dia para dia mais degradado, a autarquia não intervém na defesa de um espaço que além de ser seu, é aquele que agrupa a identidade uma comunidade.

Samuel Tomé – CDU Almeirim

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