Comercialização do vinho T2, por Rita Conim Pinto

Estava tudo a postos para o lançamento do vinho que a Telma e o Tiago produziram. Eram horas de dar a conhecer o projeto que lhes arrebatou as vidas, a soma de milhares de horas de dedicação apaixonada. Depois da marca de vinhos registada no INPI, era o momento de certificar o vinho na Comissão Vitivinícola do Tejo. Os vinhos podem seguir dois destinos quando se propõem a entrar no circuito comercial: serem vinhos de mesa, classificação conferida pelo IVV (Instituto da Vinha e do Vinho) ou serem vinhos certificados pelas diversas comissões do país, em que a cada garrafa é atribuído um selo de garantia. Isto é, significa que aquele vinho foi objeto de aprovação por um laboratório de análise físico-química, devidamente acreditado e por um painel de provadores, pela análise sensorial. Este selo tem um valor, que oscila a nível nacional mediante a comissão de que se trate. Não significando isto que um vinho seja de melhor qualidade do que o outro, mas com um vinho certificado é sempre uma garantia para o consumidor final. Pois se é certificado, tem que obrigatoriamente ter qualidade e o de mesa poderá ter ou não. Depois será, naturalmente, uma questão de gostos, como tudo na vida! Neste processo era necessário definir qual a designação a escolher, um “DO”, ou um “IG”, ou seja, um vinho com denominação de origem (DO) ou um vinho com indicação geográfica (IG), cuja principal diferença entre um e o outro é que, no segundo caso, pode ser um produto vitivinícola originado com pelo menos 85% de uvas da região, enquanto que no primeiro, o “DO”, as uvas têm de ser exclusivamente da região. O papel da comissão – CVRT – é impedir a utilização indevida das respetivas designações, após o seu reconhecimento validado, pois trata-se de património coletivo e também realizar a respetiva promoção dos vinhos da região. Estava decidido, iriam escolher a designação “IG”, pois não sabiam o que o futuro lhes reservava e poderiam equacionar a hipótese de usarem uvas de outras regiões para otimizar o seu produto e para não correrem o risco de serem mal interpretados, como o seu grande amigo dentista e também produtor de vinhos do Alentejo dizia “As uvas quando passam Vendas Novas já são todas do Alentejo!!!”. Ironia que afirmava por se sentir defraudado com a concorrência na região em que excedia o limite possível de utilização de outras regiões, nomeadamente Lisboa. Era então preciso vestir o seu “menino”, definirem uma imagem que definisse o projeto, e não ser só um desenho qualquer, para isso recorreram ao serviço de um designer, cada macaco no seu galho, eles percebiam qualquer coisa era de vinhos. Era necessário apostar no profissionalismo e qualidade, pois bem sabiam que os olhos são os primeiros a comer e antes de o cliente beber e apreciar o vinho, a primeira sugestão seria o aspeto. Adquiriram também todos os consumíveis necessários para que estivesse apto a circular – rolhas, cápsulas, rótulos e caixas – pediram diversos orçamentos e regatearam ao cêntimo, tudo contava para avaliarem o custo do produto final unitário para decidirem o valor a que o vinho ia ser vendido. Contas feitas, e definido o plano de negócios, ou seja, puseram por escrito os objetivos do projeto e quais os meios para os atingirem, decidiram que se queriam manter afastados da distribuição moderna e focarem-se no canal Horeca (canal de vendas em hotéis, restaurantes e cafés), traduzindo, não iriam estar nas grandes superfícies comerciais, sujeitos à “depenagem” do seu capital pelas empresas gigantes com monopólios assegurados. Iriam seguir o caminho que permitisse ao vinho ser interpretado como nicho de mercado, bons restaurantes e garrafeiras especializadas. Precisariam de vários distribuidores, em diferentes regiões, que trabalhassem este tipo de produto e fossem de confiança. Podia não ser o caminho mais fácil, mas tudo o que é bom dá trabalho e no final a recompensa pessoal também seria muito mais gratificante.

Boa Sorte Telma, Tiago e T2!!!

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