Quem é João Esteves?

Frim é a alcunha de família e o futebol é a sua paixão. Jogou durante 21 anos, foi um dos discípulos de Vitor Feiteira “Fininho” e até recebeu um convite para jogar no Benfica. Conheça aqui um pouco mais sobre a sua história.

Se uma pessoa que não o conhece lhe perguntasse quem é o João Esteves, o que respondia?
Sou uma pessoa que reage impulsivamente, fervo em pouca água e respondo com o coração ao pé da boca. No entanto, tenho a hombridade suficiente para quando sou menos correto pedir desculpas a quem de direito. Quem não me conhece, poderá ficar com uma imagem diferente daquilo que sou, devido à minha frontalidade. Sou amigo do meu amigo, quando há amizade pura e verdadeira.

E em criança como era?
Era uma criança muito traquinas, andava sempre metido em sarilhos. Faltava muito à escola, por vezes fugia da escola para ir brincar e nadar com outros rapazes mais velhos para a Vala de Almeirim, que me aliciavam a fumar uns cigarritos. Digo a alguns amigos que a Vala de Almeirim estava para mim, como o Mississippi estava para o Tom Sawyer. Isto tudo era reflexo de ser de uma família de origens humildes e de fracos recursos, acho que nasceu comigo, desde criança, com quatro/cinco anos já jogava na rua com os outros miúdos do bairro da igreja.

De onde veio o gosto pelo futebol?
O pátio de recreio das Escolas Velhas era o palco principal de grandes jogatanas. Outros tempos, o futebol de rua era a escola de muitos craques dessa época. Depois de ter começado com 10 anos a jogar nos infantis do União de Almeirim, com o Mister Vítor Feiteira “Fininho”.

Não tinha jeito para outros desportos?
No ano seguinte, houve um episódio em que me chateei com ele e nessa altura surgiu o ciclismo em Almeirim. Sendo o ciclismo uns dos desportos que mais gosto e o treinador desta modalidade ter uma oficina perto da zona da igreja, pedi ao meu pai para me comprar uma bicicleta de corrida e lá fui eu lançar-me à estrada. Modéstia à parte, mas tinha jeito (pernas) para obter resultados promissores. Durante o tempo em que pratiquei ciclismo, talvez uns seis meses, consegui sagrar-me campeão regional de pista em Alpiarça e alguns segundos lugares em várias provas em que participei. Entretanto, o ciclismo passou a fazer parte do ecletismo que o U. Almeirim tinha no princípio dos anos 80 e os dirigentes do ciclismo falaram-me que os dirigentes do futebol diziam que eu tinha de voltar.

Qual o melhor convite que teve para jogar futebol?
Mas o bichinho da bola falou mais alto, foi sempre a minha paixão….. Bem, o que vou dizer não sei se foi verdade. Consta-se que o Sr. Eusébio, que era o treinador do Benfica, após eu ter sido eleito o melhor jogador num torneio de infantis organizado pelo U. Almeirim, falou com o meu pai que me queria levar para o Benfica. Mas o meu pai que era sportinguista, não autorizou, outra versão é que como eu só tinha 11 anos era muito novo para ir para Lisboa sozinho.

Acha que ainda dava uma perninha? E o mais descabido?
Foi um convite para ir jogar para o Semideiro, numa fase descendente da minha carreira.. Uma não, mas com certeza duas. Tudo tem um princípio, meio e fim. Agora só na brincadeira é que brinco com a redondinha.

De onde vem o nome Frim?
É uma alcunha de família.

Qual a coisa mais estranha que lhe aconteceu no futebol?
Em 21 anos que joguei futebol, passei por algumas situações absurdas que não lembram a ninguém. Mas, a que mais me marcou negativamente neste “mundo” foi quando vesti a camisola do Alcanena. Fui acusado pelo presidente do clube, Sr. Herculano Gonçalves, juntamente com o Betes, Fernando Costa, Valbom e Rui Manique que não queríamos subir de divisão. Só quem não percebe nada de futebol é que profere um disparate deste calibre. Qual é o atleta que não quer ganhar e ficar na história do clube que representa!? Isto não cabe na cabeça de ninguém com bom senso e que tenha o mínimo conhecimento do que é um balneário. E o mais grave ainda é que foi com a conivência do então “treinador” Edgar Coelho. Treinador está entre aspas para não ofender a classe de quem o é na verdadeira aceção da palavra. Quem não quis subir de divisão foram estes senhores, até porque tínhamos um excelente plantel e os ordenados já estavam com meses de atraso. Gosto de acompanhar os jogos do meu filho, que herdou os meus genes, viajar e de conviver com os amigos. O clube do coração é o U. Almeirim, porque foi onde me formei como atleta e como homem. Muito do que sou hoje, devo ao clube da minha terra e ao Mister Sr. Vítor Feiteira (Foi como um pai para mim). Graças ao Mister que me levou para o União, que deixei os maus caminhos em que andava e desde então dediquei-me aos estudos até ao 10°ano.

De que clube é?
Sou simpatizante do Sporting, mas já fui sócio.

Sofre muito nas derrotas e vibra muito nas vitórias?
Quando era novo sentia mais as derrotas, porque fui habituado a ganhar logo no primeiro ano que joguei.

É daqueles adeptos que chama nomes aos árbitros e jogadores, quando vê os jogos na TV?
Não, porque todos os intervenientes no jogo cometem erros. Se não houver erros no futebol, por quem quer que seja, não haverá golos, com toda a certeza. Enquanto jogador, sempre respeitei os árbitros, tinha uma máxima que quando eles apitavam, já nada adiantava reclamar. Não era como adepto que iria mudar a postura, mas devo confessar que quando sinto o campo a inclinar-se também me manifesto sem faltar ao respeito.

O que quer fazer quando estiver reformado?
Quero ter saúde e alguma estabilidade financeira para gozar a velhice com dignidade e alguma qualidade de vida.

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