Pampilho ao Alto LVII

No momento em que escrevo, passam na televisão imagens dos incêndios que assolam a serra de Monchique. Persistem na retina as cenas de aflição e desespero daquela gente que se vê impotente para dominar a besta, que pelas chamas vai destruindo tudo. Bens materiais e sonhos realizados ao fim de tantos anos de sacrifício, são agora um amontoado de cinzas e paredes calcinadas.

A força e coragem dos abnegados bombeiros é frequentemente contrariada pela reviravolta dos ventos que, sem aviso, encaminham as chamas para novas frentes de incêndio. Ao espectador que na distância assiste a esta calamidade, fica uma sensação de impotência, frustração e revolta pela incúria dos homens feitos governantes. Fica reforçada a ideia de que com mais competência e atempada prevenção estas desgraças não ocorreriam, ou se ocorressem, seria em muito menor dimensão. Mais amargo ainda, é a sensação de que ao fenómeno incêndios, está ligada uma estirpe de gente que não olha a meios para encher os bolsos com as grandes negociatas ligadas à comercialização do material de combate aos incêndios. Só a titulo de exemplo, veja-se que este ano foram gastos mais de 53 milhões de euros só em meios aéreos de combate a incêndios “in Correio da manhã de 09/08/2018”; isto, para não falar dos custos de manutenção de uma elite dita especialista no combate a incêndios, mas que,« no terreno dá provas de completa incompetência, ou da mais descarada negligência.

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Esta elite (na qual se incluem os ministros e secretários de estado dos Governos que nos têm desgovernado) toda ela sustentada com os dinheiros dos nossos impostos, não teve a capacidade (ou não quis) de antever que esta desgraça estava eminente? O exemplo de perda de vidas humanas que sofremos no ano passado não foi suficiente para que estes experts pusessem em marcha uma prevenção musculada, com um ordenamento da floresta sério e competente, e a colocação no terreno de um corpo de guardas florestais?

Aqueles que são contemporâneos do Governo de antes do 25 de Abril, sabem que nessa época a mancha florestal era muito maior, os meios de comunicação escassos ou inexistentes, e só os valorosos e competentes bombeiros combatiam os raros fogos existentes. Os experts, de peito cheio de medalhas mas de eficácia nula, sejam demitidos por incompetência e a justiça seja dura e célere para os que, criminosamente, estão na origem ativa e omissiva dos incêndios.

Fiquem bem, de Pampilho ao Alto.

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