Produtor de Melão D’Almeirim perde 90% da produção devido ao calor intenso

Matias Evaristo, agricultor de 68 anos, perdeu 90% da produção de melão certificado devido à onda de calor extremo que recentemente passou por Almeirim.

O agricultor produz várias variedades de melão numa propriedade de seis hectares, mas foi na variedade Dom Quixote que viu grande parte do seu trabalho de meses desaparecer, cerca de 95% da produção. A razão para esta razia explica-se através do intenso calor que atingiu 48º celsius no ar e aos 50º no solo, durante a recente onda de calor, o que fez com que os melões ficassem completamente queimados e inutilizados.

Matias é um dos produtores que fornece melão para a Câmara Municipal de Almeirim e este ano só vai conseguir fornecer uma parte da encomenda destinada a autarquia. “Ainda consegui retirar alguns, aqueles que estavam nas zonas mais sombreadas, e assim tenho alguns guardados para ver se conseguirmos chegar onde se pretende”, refere o agricultor.
Segundo o agricultor, os prejuízos são elevados podendo atingir naquela mancha para cima de 50 mil euros entre gastos com a produção e a perda na venda do produto.

Os melões de Matias são estão localizados em Benfica do Ribatejo, em terrenos de “aluvião”, uma zona muito baixa do Vale do Tejo, que segundo o próprio são os mais indicados para este tipo de produção. “Já conheço isto há alguns anos e dedico-me a investigar os terrenos, faço mil e uma coisas para conseguir os melhores resultados possíveis”, explica o produtor.

A autarquia de Almeirim está desde 2017 a tentar obter a certificação do Melão D’Almeirim, o que para este produtor é um sinal claro de um trabalho muito interessante e positivo da Câmara Municipal.

“Dentro de pouco tempo vamos ter um selo de garantia do Melão de Almeirim que tanta fama teve e há-de voltar a ter e é uma ajuda muito importante”, conclui o agricultor.
Para além das searas de melão, há relatos de várias vinhas e terrenos de tomate atingidos pelo calor intenso na região de Almeirim, o que levou a prejuízos elevados e um decréscimo na produção na zona.