Da esquerda para a direita: Desperdício

Não tem sido consensual, e até tem sido alvo de alguma polémica, a iniciativa da “guerra” de tomates, que terá lugar num troço da circular urbana. É um costume com cerca de 70 anos na cidade espanhola de Buñol (Valencia), que se está a importar, sem que haja qualquer ligação ou tradição no nosso concelho e que irá condicionar o trânsito naquele espaço. Mas nem é isto que tem mais importância.

O tomate, segundo consta, é restolho e não será desperdiçado, pois irá ser recolhido para alimentação de animais. Apesar destes argumentos, dos quais não partilho, preocupa-me o final da ação. Desconhecendo por completo o cronograma da iniciativa, fará todo o sentido a lavagem da via após a realização do evento. E é aqui que está o maior desperdício deste evento: os metros cúbicos que se irão utilizar na lavagem da via pública. Quando falamos da necessidade de poupar água (e tanto o município como as Águas do Ribatejo têm levado a cabo iniciativas ao longo dos anos que sensibilizam para a necessidade de se poupar água), torna-se contraditório que a própria câmara promova um evento desta natureza, onde terão de utilizar-se necessariamente litros e litros de água para a limpeza da estrada. Não nos devemos esquecer que só no último ano, além do período de seca extrema que vivemos, Almeirim viu-se a braços com duas faltas de água prolongadas, em agosto de 2017 e em junho de 2018.

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Temos definitivamente de repensar os eventos que queremos promover na nossa terra, por forma a que não lesem o meio ambiente, e sobretudo não consumam desnecessariamente um recurso cada vez mais escasso.

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