A Remodelação do Jardim

JARDIM DA REPÚBLICA Elias Rodrigues pondera e sugere novas abordagens.

Depois de “O Almeirinense” noticiar a intenção da CMA levar a cabo um projeto de Remodelação do JARDIM da República (1932) ilustrada com um desenho pouco esclarecedor, o tema veio a terreiro em sessão pública do executivo com poucos almeirinenses do lado do público (como é infelizmente habitual).

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Manifestei então a necessidade de ponderação cuidada sobre este polémico projeto e eventual debate público. Polémico, pois muitos almeirinenses reagiram mal e questionaram a solução proposta que deve ser apreciada em 2 vertentes: 1- A proposta que altera radicalmente o Jardim transformando-o em praça de piso inerte e corte generalizado das árvores existentes. 2- A proposta de erguer uma réplica escultórica do último Pórtico do Paço/ Capela Real na sua real dimensão com 27 m de altura (sec. XVI-XVIII , testemunhada pela fotografia aquando da sua demolição (1889).

Sendo os princípios do projeto (incluindo o Pórtico), um pressuposto estabelecido pela autarquia fez o técnico autor um bom trabalho pedido e bem, pois só com um projeto assim seria possível integrar o referido Pórtico. Mas obviamente os almeirinenses têm uma palavra a dizer, ponderados os prós e contras. Sendo inquestionável a necessidade de revitalizar este espaço (que já foi sala de visitas e centro da vila), a solução deve manter referências – o ter como património e memória querida dos almeirinenses que o viveram. Também é sabido que quaisquer mudanças têm, em geral, uma reação conservadora, mas há formas diversas de o fazer.

Dialogando e respeitando diferentes opiniões, ponho à consideração dos leitores, com sentido construtivo e aberto, uma solução de compromisso que julgo razoável e conciliador entre os almeirinenses: manter a envolvente do jardim com os canteiros e árvores existentes, mas admitindo eliminar os canteiros centrais para a necessária revitalização e atratividade que se perdeu. A construção do anfiteatro e núcleo lúdico propostos serão bem vindos, mas sugiro para o mesmo local um conjunto escultórico alternativo ao “Pórtico” que poderá vir a ser construído noutro local da zona histórica. Passo a fundamentar uma sugestão alternativa: A Planta de Almeirim do General Guerra (1855), assinala os principais edifícios reais com destaque para o Paço Real (100m de extensão) que se implantava da Praça/Jardim ao atual Mercado Municipal, mas não assinala a localização exata do “Pórtico”. Acontece porém que a sua largura (24 m) corresponde exatamente à largura do topo norte do Paço e do atual Mercado Municipal. Daí sugerir como alternativa a sua eventual construção no limite da cerca do Hospital (frente do estacionamento municipal em obras), com espaço envolvente aberto compatível com a sua imponente altura.

Reconheço que a proposta de reconstituição do grande “Pórtico” revela uma intenção meritória, como forma de revelar a almeirinenses e potenciais visitantes, a monumentalidade do Paço Real e a importância histórica que teve Almeirim na sua origem, história riquíssima que divulgada seguramente enaltece e dignifica a cidade aos olhos de todos. A recuperação da Capela do Divino Espírito Santo/Escolas velhas (onde se instalará o Centro de Interpretação da História de Almeirim e a Remodelação do mercado municipal onde esteve implantado parte do Paço Real (esperemos que tenha isso em conta) aponta para que seja iniciada, por parte da autarquia, a desejada sinalização e qualificação do núcleo histórico e o Itinerário guiado de Almeirim, eventualmente com painéis pictóricos explicativos.

Recordamos que, no âmbito da Comemoração dos “600 anos de Almeirim” em 2011, um conjunto de almeirinenses de boa vontade fizeram uma intensa campanha de divulgação da História de Almeirim, pouco divulgada (edição de livro, postais, estudos de reconstituição do Paço e da Vila em 3Dimensões e Vídeo, sessões de divulgação e projeções nas escolas, contato com um escultor de reconhecido para orçamentar a peça escultórica, e campanha de fundos com resultados insuficientes e sem o reconhecimento ou apoio da autarquia como seria expectável, para feitura da escultura de D. João I, fundador do Paço e Vila de Almeirim (1411-1427) enquadrada por um arco ogival com 12 metros no topo norte do Jardim , com descrição sumária da história local, maquete da vila e início do itinerário, discreta mas simbolicamente forte.

Nota final
Outras intervenções em espaço público de interesse para a cidade: Lojas envolventes da Praça de Touros (Misericórdia Almeirim bom projeto em obra), Frente dos Restaurantes (bom anteprojeto elaborado), Multiusos IVV e Remodelação do Mercado (anteprojetos em elaboração). Requalificações prometedoras para a nossa cidade e que a CMA com certeza irá apresentar publicamente a seu tempo.

 

Elias Rodrigues

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