As caralhotas de Almeirim

Todos os almeirinenses convivem diariamente com o termo “caralhota”, que identifica as pequenas bolas de pão de tipo caseiro que fazem parte da nossa alimentação diária. Mas quando nos deslocamos para outra parte do País e usamos este nome, conseguimos surpreender … quase escandalizar quem nos ouve. No entanto, o nome “caralhota”
surgiu de forma simples e inocente.

Antigamente, era prática corrente serem as avós a amassarem e cozerem o pão necessário para a família consumir durante uns dias. Durante este processo era comum a curiosidade das crianças, em especial, das netas.

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Conta-se a história, que uma dessas avós que amassava o pão num grande alguidar de
barro, após colocar no forno a lenha os pães grandes que habitualmente cozia, foi surpreendida pela brincadeira da neta que, com os restinhos de massa
que ficaram no alguidar, começou a fazer pequenas bolinhas. Quando perguntou
o que esta fazia, a neta respondeu “estou a fazer caralhotas avó”. Este era o nome pelo qual os antigos vulgarmente identificavam as pequenas bolas de borboto que apareciam nas camisolas de lã e foi referido pela menina para identificar as pequenas bolas de pão que estava a fazer.

A avó aproveitou as pequenas bolas de massa que a neta fez e colocou-as no
forno, cozendo pequenas “caralhotas” para a netinha.
Esta prática passou a ser corrente… sempre que era feita uma fornada de pão, as avós coziam pequenas caralhotas para oferecer aos netos. A prática de cozer caralhotas foi-se generalizando, sendo hoje, juntamente com o melão e a sopa da pedra, um dos ex libris gastronómicos de Almeirim.

Foi recentemente entregue o pedido de certificação da denominação “caralhotas
de Almeirim” como indicação geográfica protegida. A sua atribuição será motivo de orgulho para Almeirim, para as padarias e restaurantes que os fabricam de forma tradicional e para todos os almeirinenses.

As caralhotas de Almeirim estão na moda.

 

Teresa Aranha – Secretária Junta de Freguesia de Almeirim

 

 

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