Quem é o Pai Natal?

REVELAÇÕES O Pai Natal do Mercadinho Encantado esteve à conversa com O Almeirinense, onde fez algumas confidências sobre os presentes que lhe pedem.


Como surgiu a oportunidade de ser Pai Natal?
A oportunidade surgiu numa conversa com a direção da MOV, onde me perguntaram sobre a minha disponibilidade para ser o Pai Natal. Só tivemos de acertar alguns pormenores das horas porque coincidiam com a minha atividade profissional, mas tirando isso, aceitei de imediato
este desafio.

É a primeira vez?
Não, não é a primeira vez, já o tinha feito num estabelecimento comercial
de Almeirim há uns anos, mas infelizmente essa casa já fechou, mas ficaram as memórias das reações das crianças ao entrarem na loja ou ao passarem a porta da loja e a obrigarem as mães a entrar.

Custa-lhe muito ou não dá muito prazer?
Não me custa absolutamente nada, eu sou bem disposto por natureza e estou sempre pronto para um desafio, e se juntarmos o facto de ser possível colocar sorrisos nas crianças, então sim, posso dizer que é um prazer e não me custa nada.

Qual tem sido a reação das pessoas, principalmente dos pequenos?
A reação tem sido muito boa, apesar de algumas crianças terem medo de um tipo com aspeto de velho, barrigudo e com umas barbas enormes, a grande maioria não tem medo e gosta do Pai Natal. Já me aconteceram dois casos curiosos: duas crianças, em dias diferentes, bateram-me na barriga a dizer que era falsa e perguntaram-me o que tinha debaixo da roupa, foi uma risota quando eles se aperceberam que a barriguinha é bem verdadeira e deu muito trabalho a manter. Mas tirando esses dois casos, a grande maioria das crianças vem logo ao Pai Natal e alguns chegam a medo, mas rapidamente esquecem.
Os graúdos, já reparei que alguns deles vivem mais intensamente a história
do Pai Natal do que os próprios filhos, e a satisfação de levarem as crianças ao Pai Natal está bem patente nas suas caras.

Quais os pedidos que tem tido?
Aqui o Pai Natal tem-se visto um pouco atrapalhado com alguns pedidos que são, na maioria deles, nomes de bonecos das séries de desenhos animados dos canais infantis das televisões, que não é uma coisa que eu tenha visto nos últimos tempos e por vezes fica complicado entender
os nomes, mas com alguma insistência lá vamos tomando nota de tudo, mas alguns pedidos não vão ser aceites, como por exemplo um cavalo verdadeiro – o Pai Natal viu logo que não cabia nem na carteira nem na chaminé daquela família.

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E os grandes também lhe têm pedido presentes?
Já aconteceu, mas o presente pedido nem o Pai Natal consegue: pediram os números do Euromilhões.

Foi facilmente reconhecido pelos maiores?
Tive alguns que me reconheceram pelos olhos, mas a grande maioria bastou eu abrir a boca para ouvir a frase que mais ouvi nestes dias, “ És tu?” Lá diz o ditado: pela boca morre o peixe. Não posso falar, descobrem logo quem eu sou.

E no dia 24 de dezembro também vai vestir este fato?
Claro que sim, esse é o dia mais importante, apesar de em casa já não ter “crianças”, Mas vou estar na casa do Pai Natal a atender os últimos pedidos dessa noite.

A sua filha ainda acredita no pai natal?
Não, com 22 anos já não acredita no Pai Natal, mas acredita na magia do Natal, que é o mais importante, e é essa magia que não devemos perder nunca.

Até quando é que acreditou no Pai Natal?
Quando eu era criança, a minha família tinha a tradição de dizer que era o Menino Jesus que deixava a prenda no sapatinho, só mais tarde, quando a Banda Marcial de Almeirim teve um Pai Natal que, no dia 25, de manhã, ia levar prendas a casa dos meninos é que eu comecei a acreditar no Pai Natal, mas em casa quem me deixava a prenda era o Menino Jesus. Eu nem dormia descansado à espera da manhã seguinte para ir ver os presentes. Tive noites de acordar várias vezes para ir espreitar se já lá estavam os presentes, e foi numa dessas noites que descobri que afinal não era o Menino que lá deixava o presente, sim, o presente, porque houve anos em que só tinha um presente para mim e um para cada uma das minhas irmãs. A partir daí, nas noites de 24 para 25 de dezembro, esperava que lá fossem colocar o presente e aí dormia descansado até ser de manhã. A minha prenda já estava garantida. Quanto ao Pai Natal, aí sim, acreditei sempre, até ao dia em que ele deixou de parar lá à porta mais a banda.

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