Voluntariado leva almeirinense a passar Natal em Timor

DISTÂNCIA Inês Figueiredo trocou um emprego estável por voluntariado em Timor e pela primeira vez vai passar o Natal longe da família e de Almeirim. A Licenciada em Economia e Mestre em Gestão fala da experiência única que está a viver e só termina em fevereiro.


Inês Figueiredo, em baixo à direita

Como vai ser o primeiro Natal longe de casa?
O primeiro Natal fora de casa vai ser, certamente, muito diferente e inesquecível. A começar por ser o primeiro em que vou poder trocar a lareira pela praia.
Com temperaturas acima dos 30ºC, um dos planos para o Natal passa sem sombra de dúvida por uma ida à praia.

Qual vai ser a ementa?
A ementa em Timor-Leste, passa obrigatoriamente por arroz (a base da alimentação timorense) e a noite de Natal não é, por isso, exceção. Os pratos principais são receitas simples de frango ou peixe. As sobremesas também têm lugar na mesa, sendo as favoritas dos timorenses pudim e bolo de passas. Quanto ao nosso jantar, irá certamente contar com alguns pratos/sobremesas típicas portuguesas cozinhadas por nós, para que possamos partilhar um pouco da nossa gastronomia com os timorenses.

Como vai ser passada a consoada?
A consoada vai ser passada em conjunto com os outros voluntários portugueses que vivem comigo, em casa de uma família timorense que nos “acolheu” desde a nossa chegada. Teremos o habitual jantar na noite de Natal, que incluirá uma ida à Missa do Galo (Timor-Leste é um país muito católico) e uma troca de presentes simbólica.

Quando decidiu ir, já sabia que não ia passar esta época importante em
Almeirim?
Sim, o programa de voluntariado que estou a realizar tem a duração mínima de seis meses. Como tal, já sabia que, pela primeira vez, não iria passar o Natal em Almeirim.

A família tentou demovê-la?
Não. Já há algum tempo que tinha o desejo de poder ter uma experiência de
voluntariado internacional. Desde que soube que vinha para Timor-Leste que contei sempre com o apoio de toda a família.

Como é o Natal aí?
Em Timor-Leste vive-se um Natal mais simples e muito focado no que realmente importa: reunir a família. Por isso, a capital (Díli) fica vazia, entre estrangeiros que voltam a casa e timorenses que regressam aos seus distritos. Longe da correria que nos habituamos em torno de lojas e centros comerciais, aqui, as crianças não estão habituadas a receber presentes. Não existem iluminações de Natal, apenas algumas árvores junto dos locais mais emblemáticos da cidade. Contudo, o espírito de partilha é em muito semelhante a Portugal.
A estadia em Timor tem-me permitido aperceber da simplicidade das coisas, e esta época de Natal, tem-se revelado uma ótima aprendizagem nesse sentido.

Que tipo de voluntariado está a fazer?
Estou em Timor-Leste através de um programa de voluntariado da ONG
portuguesa ‘ MOVE’, que acredita no Empreendedorismo como forma de
combater a pobreza. Quer através do auxílio a empreendedores locais que
gerem pequenos negócios, quer através da formação – dou aulas na Universidade e num centro de Formação – a missão do MOVE passa por ajudar na capacitação dos timorenses.

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