Novo Ano

No inicio de cada novo ano é usual fazer-se o balanço do anterior e emitir desejos para o que agora começa. No que respeita ao findo 2018, podemos afirmar que foi mais um ano de transição entre um modelo de sociedade que, por força dos novos paradigmas de comunicação e informação imediatas, já pouco tem a ver com o anterior modelo e está em vias de se transformar noutro – num futuro breve – que em nada se identificará com este. Também os valores em que a sociedade deveria ancorar, estão, por isso, em mudança. Para o melhor e para o pior. Hoje, é mais fácil divulgar e sensibilizar as pessoas para as causas de solidariedade e de ajuda, e o escrutínio das decisões dos agentes de poder é mais exigente. No entanto, esta sociedade mais informada não se revela mais formada, vítima da torrente de notícias e factos que a invade permanentemente, onde tudo vem: informação boa e má, verdadeira e falsa, útil e desnecessária, valiosa e irrelevante. Nunca, como agora, o ser humano esteve tão apetrechado de instrumentos de conhecimento e ao mesmo tempo tão inseguro perante esse conhecimento. A “rede” que nos cerca, está cheia de vendedores de banha da cobra e pululam os líderes de ocasião, com as opiniões mais disparatadas. O efémero é a marca: a verdade de hoje é a mentira de amanhã e vice-versa. O desafio é arranjar instrumentos que ajudem a separar o trigo do joio. Uma sociedade mais exigente e menos permeável, que faça da defesa da Liberdade e dos valores da Democracia o seu desígnio, é o meu desejo para 2019. Bom Ano para todos.

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