Almeirinense ganha prémio a APAV e guarda dinheiro para formação

Filipa Pereira, aos 24 anos, foi distinguida pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) na categoria Investigação 2018 pela tese de mestrado com o tema “O papel da vítima no processo penal português”.

De que fala a tese?
A minha tese procura respostas em torno da proteção e da participação da vítima no processo penal, ou seja, na justiça penal. Apelando à criminologia e à pantanosa área da vitimologia, ainda pouco explorada, exponho vários problemas e proponho várias medidas processuais que podem fomentar a melhor proteção da vítima de crime.

E qual acha que é o papel da vítima no processo penal português”?
A vítima deve participar no processo. No fundo, quando se fala em justiça penal falamos de duas orientações fundamentais: a orientação para a paz comunitária face ao crime cometido, e a orientação para a reinserção social do delinquente. Creio que a vítima de crime deve ter um papel ativo e deve ser protegida pelo Estado através de variadas medidas, com respeito pelas suas particularidades e fragilidades, não descurando, claro, as garantias de defesa do arguido.


Mudou para melhor, esta situação?
As alterações têm sido positivas ao nível do Estatuto da Vítima. No entanto, é preciso investir na prática, nomeadamente na formação das polícias e das magistraturas e na efetiva aplicação em tempo útil de medidas de proteção.

O que acha que cativou o júri?
Porventura a paixão com que falo no tema, a inovação na abordagem, a criatividade e o facto de aspirar a melhorar a lei e a prática jurídica em torno dos direitos humanos das vítimas, sobretudo quando a violência doméstica, entre outros crimes, é uma “chaga” social.

Ficou surpreendida com o prémio?
Sim. Apesar de saber que o meu trabalho tinha de facto qualidade, inovando na abordagem do tema, fiquei surpreendida pois este prémio é concedido pela APAV, após análise por parte de um júri composto por professores catedráticos de Direito, Psicologia, Sociologia e Criminologia. Ter uma tese de Direito que satisfaça também estudiosos de outras áreas das ciências sociais é muito bom.

Em que gastou os 1500 do prémio?
Por agora, estão reservados para investir na minha formação.

Foi a Filipa que candidatou a tese ou foi ao contrário?
Sim, candidatei-me ao prémio anualmente anunciado pela APAV.

Porque a cativa estas temáticas?

ENTREVISTA COMPLETA NA EDIÇÃO DE 15 DE AGOSTO JÁ NAS BANCAS

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