Opinião de Armindo Castelo Bento

Há quem diga que é sempre importante começar a ler um livro pelo seu prefácio, pois assim podemos descobrir o verdadeiro valor desse livro, e se ele vale a pena ser lido ou se é melhor fechá-lo e não perder o nosso tempo, que como sabemos é sempre escasso, podendo assim escolher um outro livro mais interessante que aquele do qual lemos apenas algumas páginas de apresentação e percebemos logo que não era aquilo que pretendíamos ler. Então vamos pensar e apelar para termos uma atitude positiva, é melhor descobrir que o livro não era o que pensávamos antes de ler, e
“fechá-lo” nesse mesmo momento ou ir até o final do mesmo e perder o nosso tempo, com uma certa angústia, e até desilusão, porque sabemos que não era o que esperávamos ? A atitude mais certa e correta é fechar esse livro e pegar noutro, porque este já mostrou logo de início que não merece ser lido até o final! “Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. (“Carlos Ruiz Zafón – in A sombra do vento”)

Sabia que “quando os japoneses colam objetos quebrados, eles preenchem as rachaduras com ouro. Eles acreditam que quando algo sofre algum dano, tem uma história, e por isso há que ser consertado, vale a pena repará-lo.
Quando alguns vasos se quebram, eles não perdem seu valor. De facto, ao consertá-lo, ele torna-se num objeto único e especial. E passa a valer mais do que antes! Ao invés de se envergonharem de suas imperfeições, eles embelezam-nas, para que sejam vistas como uma celebração à vida, nos pequenos e grandes erros cometidos e na possibilidade aprendermos com isso. Parte do que somos é aquilo que tentamos esconder com mais determinação: as nossas falhas e defeitos.”(in livro Kintgukuroi –Tomás Navarro)

Por que não usamos este exemplo dos japoneses para a nossa vida? Por que temos tanto medo de assumir os nossos erros e por que teimamos em esconder as nossas imperfeições? Qual seria a “graça da viver” se ninguém cometesse qualquer tipo de erro? Eu sei que é muito mais bonito e certo quando acertamos, mas os erros existem também para nos ensinar. Algumas pessoas até aprendem melhor quando erram do que quando acertam. Quando a gente erra, não perdemos o nosso valor. Entenda-se que estamos em constante movimento e é mais do que normal tomarmos decisões que às vezes não são as melhores.

A nossa vida não acaba porque erramos, sempre há tempo de “ a consertar”, seguir até outro caminho. Os vasos “consertados” japoneses são únicos. Sabem porquê? Não temos dúvidas que todos se quebram de forma diferente e quando são consertados também de forma diferente , e por isso nenhuma fica igual ao outro, todos ficam diferentes. O mesmo acontece com as pessoas. Tornamo-nos únicos a partir de nossas experiências de vida. Por isso, não tenham medo, não esconda os vossos erros!

Como certamente já repararam eu utilizo esta plataforma de comunicação para “falar” muito e abertamente do meu sentido das coisas e da vida. Em certas ocasiões dou por mim a interrogar-me, sendo que também já alguns e algumas amigos (as) me chamaram a atenção para isso, se tal não será “demais”, mas, logo depois, relembro os meus valores e o meu sentir de viver a vida, e surge inevitavelmente a pergunta: “qual é o “porquê” em partilhar tudo isto?” A resposta surge de imediato na minha mente e é sempre esta: aumentar e melhorar o nível das relações pessoais e para lembrar aos outros (as), eles(as) não estão sozinhos(as). É como um quebrar as barreiras do poder da nossa mente e assegurar a todos e a todas que também somos humanos. Estou muito grato por poder acompanhar, compartilhar muitas coisas aqui e por continuar a lidar com toda essas coisas do ser humano.

“Nem sempre somos capazes de controlar o que bate à nossa porta, mas temos … a possibilidade de decidir o que entra e o que fica de fora” (Cleo Wade.)

Armindo Castelo Bento
Economista

.