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Dr. Isabelinha e os seus invejáveis 98 anos

Nasceu em Almeirim a 5 de Dezembro de 1908. Um grande médico, um talentoso desportista, mas, acima de tudo, um homem de uma generosidade incomparável. Amigo de conhecidos e desconhecidos. Conhecido como "o pai dos pobres", deixou o consultório há dois anos mas continua a ajudar quem lhe pede auxílio. Actualmente com 98 anos, está atento às notícias nos jornais, tem sempre dois livros na cabeceira e um bolso cheio de rebuçados. Que recordações tem da sua infância em Almeirim? São recordações belíssimas. Não parava um minuto. Naquela altura, eram poucos os carros que passavam na rua de Alpiarça e podia jogar à bola e andar de bicicleta na estrada. O meu pai era comerciante e até dentro da loja jogava à bola. Estudava na escola da rua da igreja, onde brincávamos muito e cedo mostrei que tinha jeito para o futebol, tendo jogado no U. Almeirim. Mas não deixáva-mos de estudar como devia ser. Tínhamos uns professores que eram um encanto, como o professor Gomes e a Dona Briolanja. Depois da escola em Almeirim foi para o liceu em Santarém? Já tinha os meus 18 ou 19 anos, não me recordo. Também aqui encontrei professores muito simpáticos e que ensinavam bem. Não só na questão das letras, como também na conduta pessoal, a relacionarmo-nos com os colegas. Era um encanto. Como sabiam que eu jogava razoavelmente bem à bola, "Os Leões" de Santarém pediram licença ao meu pai para eu ir jogar para aquela equipa. Quando decidiu que queria ser médico? Sim. Já tinha essa intenção quando fui para Coimbra, mas desde criança que queria ser médico. Tinha um primo que era médico em Almeirim e deve ter sido isso que me entusias-mou pela medicina. Por vezes, estava com ele no consultório, outras estávamos no jardim a falar. Ele estava sempre em actividade e eu achava aquilo muito interessante. (entrevista na íntegra, na edição impressa deste jornal)

8/1/2007

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