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A vida não está fácil para quem produz as frutas de Verão. Os melões, as meloas e as melancias não estão a fazer sorrir os produtores que fazem cada vez mais contas à vida, sem encontrar soluções.
Mário Pereira, candidato pela CDU à Câmara Municipal de Alpiarça e António Filipe, candidato pela Coligação à Assembleia da República estiveram à tarde de sexta-feira, dia 17 de Julho para conversar com os produtores e perceber as suas proecupações.
Ao longo de mais de duas horas, os candidatos e a sua comitiva pararam junto de cada reboque, cumprimentaram ca-da um dos produtores e ouviram de cada um as mesmas lamentações: «este ano, estamos muito mal, vendemos pouco e barato!» Em poucas palavras, o agricultor alpiarcense Américo Moreira disse quase tudo:«A cada ano que passa, é mais difícil vender estas frutas. Este ano quando os nossos melões e melancias começaram a sair já o mercado estava saturado ou apalavrado com os produtos vindos de Espanha. É dificil competir assim, partimos logo em atraso».
Para além das dificuldades de escoamento, o estrangulamento dos preços e a ausência de regras mais rígidas nesta matéria é uma outra queixa comum:« a melancia está a ser vendida aqui a 9 cêntimos, nas grandes superfícies é vendida a 29 cêntimos; já o melão está a sair entre os 15 e os 18 cêntimos. A verdade é que estes valores que estamos a ser forçados a fazer na venda ao quilo não faz a cobertura dos custos de produção.»
Sensível a estas dificuldades e consciente da actual situação de desepero dos agricultores, António Filipe verificou in loco uma realidade que embora influenciada pelas adversidades climatéricas é também fruto de adversidades provocadas por decisões governamentais e políticas desenvolvidas por superfíes comerciais mais preocupadas com a guerra de preços do que com a qualidade dos produtos e com o consumidor.
«A este passo, num futuro próximo, vamos estar perante uma situação de abandono dos campos sem retorno. Quem vai perder com isso não são só os próprios produtores e as suas famílias que ficam sem negócios e sem formas de subsistência, mas também o país e a economia nacional.»
À passagem da comitiva, alguns dos produtores perguntavam, o que vinham fazer e se podiam ter ainda alguma esperança na agricultura. Visivelmente desmoralizados e desanimados com a actual situação, os produtores entendem que estão a trabalhar horas e horas mas que não vão ver frutos desse trabalho:«este ano trabalhamos para aquecer. Não só não vamos ter lucro como nem sequer vamos conseguir pagar os custos. Quem tem terra sua ainda é capaz de não ficar endividado agora quem tiver que pagar rendas não vai conseguir sobreviver a este mau ano» lamentou Maria do Céu de 38 anos.
E de facto, o deputado António Filipe lamenta que o Governo socialista não apoie o sector primário e a agricultura portuguesa: « Há muita falta de apoio aos agricultores, por exemplo na publicitação dos seus produtos e até no que refere à concessão de créditos para fazer face a custos acrescidos e prejuízos elevados».
A acrescentar ao problema nacional do estrangulamento dos preços e da falta de escoamento dos produtos, os produtores alpiarcenses entendem ainda que podiam ter melhores condições de venda no mercado da fruta em Alpiarça bem como algum apoio local da própria autarquia. Quem o diz é Maria do Céu que gostaria de ter uma casa de banho com condições mínimas ali no Mercado e que existissem contentores de dimensões adequadas para que os agricultores não fizessem da ribeira, depósito de lixo. Uma outra preocupação que afecta os produtores a nível local é a ausência de segurança nocturna no Mercado: «à noite só temos ma hipótese - levar tudo para casa, ou deixar cá e ficarmos cá de noite com as carradas! Facilmente isto seria resolvido se a autarquia colocasse aqui alguém para fazer vigilância nocturna». (S.C.)
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