Crónica da Cidade: ÉTICA NAS AUTÁRQUICAS

elias rodrigues

Cidade e concelho vivem um progressivo frenesim eleitoral. Há uns tempos a esta parte, vive-se em Almeirim um ambiente de crispação e de conjuras, dissidências e revanchismos, jogos de bastidores, obsessivo apego ao poder que em nada dignificam os valores democráticos, numa luta em que as ambições pessoais parecem sobrepor-se ao mais importante que é a melhoria das condições de vida dos almeirinenses. O mais relevante não será a exibição dos pequenos ou grandes cartazes (conforme os meios financeiros de cada um) ou as insuficientes “palavras de ordem”, mas as ideias, os programas, as propostas concretas de cada candidatura.
Apresentem e debatam publicamente como melhorar a Orgânica Municipal, a Educação e Cultura, o Desporto, a Acção Social, a Reabilitação Urbana e o Trânsito, o Ambiente e espaços Verdes, o Turismo… os estímulos à economia local e a criação de emprego, reconhecendo o que está a funcionar ou rectificando o que não está bem, propondo então acções inovadoras e criativas, com espírito jovem e aberto, com visão de futuro.

Aproximam-se tempos de renovação desejavelmente com alterações na forma como é entendido o serviço público, sem arrogância nem centralismo exacerbado, com transparência e diálogo construtivo entre as diversas forças políticas, ganhadoras ou em oposição. Porque não um Acordo de Entendimento entre as diversas candidaturas sobre um conjunto de assuntos estratégicos e prioritários no interesse da cidade e do concelho? Basta seriedade, espírito de cooperação e tolerância, saber ouvir e dialogar.

Se os ganhadores souberem ouvir e reconhecer as boas propostas (vindas de onde vierem) serão reconhecidos por todos. Se souberem rodear-se de conselheiros competentes, e sem sectarismos partidários, serão reconhecidos por todos como merecedores da confiança dos cidadãos eleitores.

A prática do poder autárquico deve ser entendida como um serviço público honroso e não como um meio de vida ou de satisfação de ambições pessoais. Não se coaduna com coacções, subsídio – dependências ou trocas de favores. Quer-se transparente, dialogante e participada.

O verdadeiro espírito democrático quer-se participativo, e daí, o necessário envolvimento das forças vivas da sociedade civil, das associações e colectividades, escolas e instituições, e todos os que possam contribuir para a coesão social e melhoria do concelho (sempre fui defensor dos Conselhos Municipais consultivos, agregadores das forças vivas do concelho).

A diversidade de pensamento e o debate sério são positivos, saudáveis e criativos, implicando (bem para além das leis) respeito, bom senso, civismo e ética democrática.

O período de reflexão já começou.

ER. Agosto, 2013

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