“Foi um ano muito rico em experiência e de aprendizagem”, afirma Provedor da SCMA

Ao assinalar um ano como Provedor da Misericórdia de Almeirim, José Lobo Vasconcelos concede uma grande entrevista a O Almeirinense. Faz o balanço da gestão deste ano. Traça objectivos para e destaca a importância das obras da Fisioterapia e no antigo Hospital.

“Foi um ano muito rico em experiência e de aprendizagem”

Que balanço faz deste ano como Provedor da Santa Casa Misericórdia de Almeirim?

Foi um ano extraordinário para todos nós na Mesa Administrativa (MA) e, para mim pessoalmente, foi um ano muito rico em experiência e de aprendizagem a todos os níveis. A nova Mesa Administrativa é composta por irmãos, que embora conheçam a Santa Casa há bastante tempo, não tinham, com a excepção neste caso do Vice -Provedor, conhecimento profundo das valências. Foi por isso muito útil a reunião prolongada que tivemos em Outubro, que nos fez olhar de uma forma distante para a informação que cada um tinha já recolhido, fruto das suas experiências vividas, ajustar ideias de futuro e decidir acções que precisavam ser primeiramente seriamente amadurecidas.

Numa altura como esta, de grave crise económica, acentua-se a necessidade de um papel ainda mais activo das Misericórdias?

Acho que não só para as Santas Casas mas para cada um de nós como cidadãos. É claro que as Santas Casas através das suas estruturas deverão estar mais preparadas para as respostas necessárias, mas a actividade social é-nos pedida a cada um individualmente.

Almeirim tem tido essa preocupação?

A SCMA tem essa preocupação desde sempre, não só de agora, foi essa preocupação que levou os seus fundadores a começar esta obra e ao longo dos anos, todos os Irmãos que pertenceram aos seus órgãos sociais, bem como os funcionários que preenchem a sua estrutura, têm tido essa preocupação. E penso que têm sabido responder à altura. A esse propósito, lançámos um desafio às demais instituições sociais do Concelho, e conseguimos em conjunto uma acção que nos une e que aproveita excedentes de alimentos, distribuindo esses alimentos por famílias que os aproveitam. O grupo que constituímos chama-se ‘de Mãos Dadas’, acho que espelha bem o espírito que pretendemos transmitir numa altura como esta que vivemos.

Nas várias valências os resultados/objectivos têm sido cumpridos?

O objectivo que lançámos na MA foi o de continuar uma gestão que era já muito cuidada e melhorar no que a conjuntura nos permitisse e no que a sociedade nos pedisse. Penso que estamos a dar o nosso melhor para que isso aconteça. Os resultados, esses, vamos ter de os ir analisando e se necessário corrigindo onde não tenhamos ainda atingido os níveis de excelência que este sector exige.

Apesar de discreto, é uma pessoa que gosta de acompanhar muitas das atividades da SCMA?

Mais do que gostar acho que é meu dever, bem como de todos os outros mesários, acompanhar tão de perto quanto possível a actividade da Santa Casa que servimos. No meu caso ainda mais, visto a responsabilidade acrescida que o meu ‘posto’ implica. Mas respondendo à sua pergunta, gosto de acompanhar as actividades da SCMA, sobretudo na sua Resposta Social.

É importante também a abertura/proximidade à comunidade que tem existido?

Não se pode amar o que não se conhece, tivemos de conhecer melhor o que nos foi entregue para amar e sobretudo darmo-nos a conhecer. Mas claro esta é uma tarefa que não acaba. Repito que, à excepção de um dos membros da MA que transitou da anterior Mesa, todos os restantes mesários somos ‘novatos’, mas todos muito empenhados.

Ainda recentemente Pedro Santana Lopes, numa visita que fez às instalações, teceu rasgados elogios à SCMA. Isso deixa-o muitos satisfeito?!

O Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa limitou-se a dar uma resposta simpática ao jornalista do Almeirinense.  No entanto fiquei satisfeito com a sua disponibilidade para nos visitar, pelo interesse que demonstrou pelo nosso trabalho e sobretudo colaborar connosco em projectos que podem ser de interesse mútuo. Antes de falarmos dos objetivos para o futuro próximo e numa pergunta mais abrangente, deixe-me abordar dois pontos importante e actuais. A SCMA vai arrancar com as obras no Hospital. Este era o desejo antigo. Esta obra tem 85% financiamento.

Seria possível a SCMA suportar toda a despesa? Neste espaço vai ficar a infância ?

O edifício do antigo Hospital da SCMA estava como todos sabemos num estado de grande degradação. A SCMA nos mandatos da anterior mesa, pensou, trabalhou, projectou e candidatou-se a ajudas públicas para tentar não só recuperar o edifício, mas também para realizar um antigo sonho de todos. O de juntar a valência da infância debaixo de um só tecto, com todos as vantagens e sinergias que isso traz, não só para as crianças como para as famílias e para a estrutura em geral. É isso que esperamos poder oferecer aos nossos clientes mais pequeninos num futuro próximo. Esta e outras obras só são possíveis com ajudas públicas, no nosso caso como no de outras instituições congéneres. A SCMA não é rica, como algumas das suas congéneres, mas todos fazemos o nosso melhor para bem gerir o seu património. Estamos muito contentes com o facto de depois de muito trabalho e expectativas de longa data, termos finalmente conseguido desbloquear os fundos necessários.

A isto junta-se a obra já iniciada da Fisioterapia. Arrancou com os mesmos pressupostos?! Este espaço será de excelência envolvendo várias valências?!

Essa é mais uma resposta à necessidade que sentimos, não só de dar um espaço mais digno e moderno com todas as condições adequadas ao fluxo de clientes que nos procuram, como também por precisarmos do espaço que a fisioterapia ocupava nas instalações do Lar de São José. Pensamos assim também poder oferecer a todos os que precisam desses cuidados, umas instalações construídas para esse fim, pensadas e projectadas para a máxima eficácia, para o seu conforto e com uma localização mais central e por isso mesmo mais acessível a toda a população. Que desejos/objectivos tem para o futuro próximo. Quer para o ano civil de 2014 e o seu segundo ano como Provedor ? Poder continuar a servir esta Santa Casa com a ajuda da mesa que aceitou acompanhar-me e manter o nível de excelência a que a mesma habituou os seus clientes. E com a ajuda de Deus que tudo pode e sem a qual nós nada podemos.

Este texto foi escrito de acordo com a antiga ortografia

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