Era em Benfica do Ribatejo que Vasco Graça Moura se sentia bem

Vasco Graça Moura morreu este domingo. O poeta e escritor Vasco Graça Moura, de 72 anos, que vivia na freguesia de Benfica do Ribatejo e muitas vezes frequentava espaços públicos no concelho.

Vasco Graça Moura morreu hoje de manhã em Lisboa vítima de cancro. Tinha 72 anos.

Celebrara em 2013 os 50 anos de vida literária.

Vasco Graça Moura tem obra publicada nas áreas do romance, poesia, ensaio, crónicas e traduções.Neste último campo, traduziu nomeadamente ‘A Divina Comédia’, de Dante, sonetos de Shakespeare, obras de Racine e ‘Cyrano de Bergerac’, de Edmond de Rostand.

Graça Moura era jurista, militante do PSD e desempenhou, no plano político, vários cargos governamentais chegou mesmo a ser um nome equacionado para concorrer à Câmara Municipal de Almeirim pelo PSD local.

Vasco Graça Moura escreveu o prefácio das origens de Benfica do Ribatejo, escrito pelo Historiador Eurico Henriques e editado pelo Rancho Folclórico de Benfica do Ribatejo e ai dizia: “Resido em Benfica do Ribatejo desde o ano 2000, mas não tenho quaisquer ligações especiais, familiares ou outras, a esta freguesia, salvo as das amizades e convívios gratificantes que nela criei entretanto. Sou natural do Porto e vivi em Lisboa e arredores durante mais de vinte anos. Mas foi em Benfica do Ribatejo que há doze anos instalei a minha casa, a minha biblioteca e a minha oficina de escritor, sendo também aqui que tenho os meus momentos de ócio e de repouso. E é aqui que me sinto bem.
Feita esta declaração, registo com o maior interesse a publicação da obra de Eurico M. L. Henriques, As Origens / Benfica do Ribatejo. Parece-me um excelente trabalho de investigação, com importantes contribuições para o conhecimento da pré-história e da história do lugar, dos seus habitantes, dos seus modos de vida, das suas relações com outras comunidades e circunscrições administrativas.
O labor paciente dos eruditos que se dedicam à elaboração de monografias deste tipo, baseadas na recolha de informações e de documentação de incidência local, é normalmente utilíssimo para um melhor conhecimento do país em que vivemos, das suas terras e das suas gentes.
Também a esse título, e como morador da freguesia, fico pessoalmente muito grato ao autor e desejo o maior sucesso à obra que ele apresenta agora, a partir do Pólo Sócio-Cultural e Museológico de Benfica do Ribatejo.”

Soneto do amor e da morte
quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in “Antologia dos Sessenta Anos”

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